Vereadores de Barra Mansa aprovam moção contra Maduro e provocam polêmica

Documento, aprovado por unanimidade, vai para a Embaixada da Venezuela

Por O Dia

Rio - Moradores de Barra Mansa, município do Sul Fluminense com cerca de 200 mil habitantes, que vêm enfrentando sérios problemas no transporte, saúde, educação e iluminação pública, estão em pé de guerra com a Câmara de Vereadores. Tudo porque na penúltima sessão plenária, os 19 representantes do Legislativo local aprovaram, por unanimidade, uma moção de repúdio contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Vereador Marcell Castro%2C alega que 'só quis ser solidário' com o povo venezuelanoarquivo pessoal

A bronca dos barra-mansenses, que planejam até passeatas e protestos na cidade, segundo lideranças comunitárias, é com a suposta “perda de tempo” com a discussão de um assunto internacional – a Venezuela passa por grave crise econômica e política -, em detrimento dos problemas comunitários. Ao todo, a Casa consome em torno de meio milhão de reais por mês dos cofres públicos.

O alvo maior das severas críticas, principalmente pelas redes sociais, onde o assunto é motivo de chacotas, é o autor do documento, o vereador do PTB, Marcell Castro, terceiro candidato mais votado nas últimas eleições, o mesmo que propôs a criação de um cemitério exclusivo para animais na periferia. “Agora só falta convocar a Guarda Municipal de Barra Mansa para invadir a Venezuela”, brincou um internauta.

A ex-vereadora e líder comunitária, Elisa Ferreira, não poupou críticas à ideia. “Essa moção soa como um acinte. Enquanto os vereadores se dedicam a problemas do exterior, estamos há meses tentando, em vão, a atenção deles para que ajudem na busca de soluções para o precário transporte urbano, especialmente na Periferia Leste, para a iluminação ultrapassada da cidade, que parece do século 18, entre outros assuntos locais mais urgentes”, justifica Elisa.

“É lamentável. Porque, então, os vereadores de Barra Mansa, não se empenham em enviar uma carta de repúdio para a câmara Federal, que se vendeu votando a favor da corrupção e o desmonte das políticas sociais e dos direitos constitucionais? Quer maior ditadura que o Brasil vive nesse momento?”, desabafou a advogada Ana Maria Vicente Soares.

José Maria da Silva, o Zezinho, secretário executivo do Movimento Ética na Política (MEP) regional, por sua vez, classificou de “estranha” a preocupação dos vereadores de Barra Mansa com a Venezuela. “Será que os mesmos parlamentares aprovaram, por exemplo, moção ao Departamento de Transportes (Detro)  e Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Sindpass), cobrando melhorias na prestação de serviços dos ônibus na Periferia Leste, região onde vivem 40 mil pessoas?”, criticou.

Em entrevista na terça-feira a jornais da região e nas redes sociais, Marcell rebateu as críticas, dizendo que ao propor a moção contra Maduro “só quis ser solidário ao povo venezuelano”, e que está, sim, preocupado com os barra-mansenses, já que em sete meses, teria apresentado cerca de 20 projetos de lei – incluindo o cemitério para cães e outros animais. “Como cidadão sou contra (a suposta ditadura empreendida por Nicolás Maduro). E como vereador também. Apenas estou contra a violação dos direitos humanos na Venezuela. A moção não teve nenhum custo para a Casa. Não entendo o motivo de tanto ti-ti-ti”, declarou Marcell ao site de notícias Foco Regional.

O presidente da Câmara, Marcelo Borges (PDT), o Marcelo Cabeleireiro, também fez declarações e disse não ter visto nada demais na iniciativa do colega, pois “é dever da Câmara estar sempre atenta ao que acontece na cidade, no país e no mundo”. “O documento é legítimo e será encaminhado à Embaixada da Venezuela no Brasil”, adiantou.

Na internet, o assunto divide opiniões. “Essas moções são corriqueiras nas câmaras brasileiras, apesar de terem um valor simbólico. Palmas para o vereador”, elogiou Lais Bruno. “Isso se chama falta de serviço”, disparou Rodney Duarte. “Bem feito, cada eleitor tem o vereador que merece”, completou Josafá Madureira.

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