Linhas de trem são paralisadas a cada 11 dias por causa da violência

Confronto no Jacarezinho afetou o ramal Belford Roxo. Dois policiais foram enterrados neste domingo

Por O Dia

Rio - A rotina de tiroteios, policiais baleados e terror continuou neste fim de semana no Jacarezinho, afetando até mesmo a circulação de pessoas. No sábado à tarde, um confronto entre policiais e criminosos atingiu a rede aérea da SuperVia, interrompendo o ramal Belford Roxo de trem até o fim da manhã de ontem. Na ação, um policial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), a tropa de elite da Polícia Civil, ficou ferido no braço esquerdo. O estado de saúde de Marcelo Antônio Ventura Golpini, levado ao Hospital Geral de Bonsucesso, é estável. Após a operação, a SuperVia registrou 19 ocorrências de segurança que prejudicaram a circulação de trens — uma paralisação a cada 11 dias.

Comoção e revolta em enterro de agente da Core. Dezenas de colegas da Polícia Civil%2C além de policiais de outras forças%2C participaram da cerimônia na Zona OesteFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

Golpini foi o segundo policial da Core baleado num intervalo de apenas 24 horas no Jacarezinho. Bruno Guimarães Buhler, da Core, morreu ao ser atingido no pescoço em uma operação na comunidade, na sexta-feira. Na madrugada de ontem, moradores seguiram registrando nas redes sociais uma rotina de tiroteios entre policiais e traficantes. Um vídeo registrou rajadas de tiros e carros passando em alta velocidade para escapar dos disparos.

O Dia dos Pais começou com o luto para a Segurança Pública do Rio, com o enterro de dois policiais mortos. E terminou com a prisão de Nilson Roger da Silva de Freitas, o Roger do Jacarezinho, que pode estar por trás dos episódios de violência contra policiais na comunidade. Capturado ontem à noite em uma mansão de luxo no interior de Goiás, ele é apontado como um dos chefões do Comando Vermelho.

Sá se emociona em enterro

À tarde, o secretário de Segurança, Roberto Sá, acompanhou o enterro de Bruno Guimarães Buhler, de 36 anos, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Considerado como um dos maiores atiradores de elite da Polícia Civil, Bruno tinha um filho de 6 anos. 

Pétalas de rosas foram despejadas por um helicóptero da CivilSeverino Silva / Agência O Dia

Sá reivindicou mudanças na legislação para conter os ataques a policiais e pediu apoio da população. “Eu pergunto: quem está ao lado da polícia? Quem? Só sabem criticar a polícia! E, quando erra, a gente pune com rigor, não há medo de transparência. Nós exigimos ser acompanhados por todos os órgãos de controle”, desabafou.

A fala emocionada do chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, resumiu a tristeza no enterro do policial, conhecido como Xingu entre os amigos. “Hoje (ontem), no Dia dos Pais, entregamos bandeiras dobradas. Eu acho que o presente para esse filho deve ter tido uma conotação diferente”, lamentou.

Colegas carregam caixão

A despedida de Bruno, que trabalhava na Civil há sete anos, teve a presença de colegas de corporação, do Bope (tropa de elite da PM), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional. Pétalas de rosas foram despejadas por um helicóptero. O caixão foi levado até o túmulo por amigos da Core.

Também foi enterrada a PM Elisângela Bessa Cordeiro, de 41 anos, no Cemitério Jardim da Saudade de Mesquita. Ela era lotada no 5º BPM (Praça da Harmonia) e vendia batata frita em Nilópolis. Na volta, foi morta com um tiro na nuca, na madrugada de sábado, em assalto em Coelho Neto. O número de PMs mortos em ações violentas no estado subiu para 97: três foram assassinados entre sexta e sábado.

Belford Roxo é o ramal mais afetado

Além da baixa na segurança, os cariocas sentem o impacto do descontrole da violência na mobilidade. O ramal Belford Roxo é o mais afetado, pois precisou ser parcialmente interrompido 15 vezes por causa de tiroteios perto da linha férrea.

O ramal Saracuruna foi prejudicado três vezes e o Japeri, uma vez. Embora a circulação do ramal Belford Roxo tenha sido liberada, pode haver atrasos hoje, porque resta concluir o reparo. “A SuperVia lamenta que a insegurança nessas regiões motivem, constantemente, operações policiais que colocam em risco a integridade física e até mesmo a vida de passageiros e funcionários da empresa, além de impactar a locomoção de milhares de pessoas”, afirmou a empresa, por meio de nota.

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