Milhares de alunos ficam sem aulas pelo 2º dia seguido por causa da violência

Moradores voltam a relatar intenso confronto no Jacarezinho. ONG Rio de Paz anunciou que suspendeu projetos sociais na comunidade

Por O Dia

Rio - Pelo segundo dia seguido, milhares de alunos ficaram sem aulas na cidade por causa da violência. Ao todo, 5.295 estudantes foram prejudicados. O local mais atingido, nesta quarta-feira, foi novamente o Jacarezinho, na Zona Norte. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, quatro colégios, três creches e dois Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI) não abriram nesta manhã, afetando 2.369 pessoas.

Moradores relataram intenso tiroteio na favela desde o início do dia. Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), policiais foram atacados por criminosos na localidade conhecida como CRJ. Esse é o sexto dia seguido de confrontos na comunidade. Nesta terça-feira, o verdureiro Sebastião Sabino da Silva foi morto e sua mulher, Ana Carolina Pereira dos Santos, 30 anos, foi baleada de raspão no rosto e socorrida para o Hospital Geral de Bonsucesso.

ONG Rio de Paz suspendeu os projetos sociais no Jacarezinho por causa dos frequentes confrontos na favelaReprodução Twitter

Instituições de bairros próximos ao Jacarezinho também fecharam as portas nesta terça. Em Maria da Graça, uma escola com 850 alunos não abriu. Já em Triagem, 598 pessoas ficaram sem aulas em um colégio e um EDI. 

Em Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste, onde também há registros de troca de tiros, uma creche e uma escola não abriram. Ao todo, 937 alunos foram afetados. Em Higienópolis, na Zona Norte, 296 estudantes de um colégio não foram estudar por causa da violência. Já em Manguinhos, 245 crianças foram prejudicadas em um EDI.

Segundo a secretaria, as instituições do Complexo da Pedreira, em Costa Barros, estão funcionando normalmente. Policiais do 41º BPM (Irajá) estão na favela desde às 8h para realizar uma operação. Ainda não há balanço.

ONG suspende atividades no Jacarezinho

Por causa dos constantes confrontos, a ONG Rio de Paz suspendeu os projetos sociais no Jacarezinho. A medida foi anunciada pelo presidente da organização, Antônio Carlos, no Twitter. "É difícil fazer o bem no Brasil. Teremos de suspender temporariamente projetos sociais por conta da guerra. De um lado, uma polícia ferida na alma pela perda de tantos companheiros, do outro, o pobre buscando se proteger das balas perdidas", escreveu em sua rede social.

Antônio completou ainda dizendo que "a superação do caos que o Rio de Janeiro está vivenciando na segurança pública demanda o engajamento da sociedade e o uso da razão". "O pobre agoniza", definiu.

Alunos e professores da rede municipal organizam, nesta quinta-feira, uma mobilização pela paz. O ato, que ocorrerá em diversos pontos da cidade, reunirá teatro, brincadeiras, música e jogos. A Secretaria de Educação informou que pelo menos 650 mil jovens participarão do protesto, que é um "encontro marcado com a tolerância, solidariedade, harmonia e companheirismo".

Portal oferece recompensa por informações que levem a prisão dos suspeitos de matar policial civilDivulgação

Portal oferece recompensa de R$ 50 mil por suspeitos de matar policial 

O Portal dos Procurados divulgou um cartaz, na manhã desta quarta-feira, com recompensa de R$ 50 mil por informações que ajudem a identificar e prender os envolvidos na morte do policial civil Bruno Guimarães Buhler.

O agente, que era lotado na na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foi assassinado durante um confronto no Jacarezinho, nesta sexta-feira. 

O Portal pede para quem tiver informações a respeito da localização dos suspeitos denuncie através do WhatsApp ou Telegram do Procurados (21) 98849-6099; atendimento do Disque Denúncia (21) 2253-1177; através do Facebook e pelo aplicativo do Disque Denúncia. O anonimato é garantido em todos os canais de denúncia.

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