Jogos de enigmas viraram sensação no Rio

Amantes em desvendar mistérios se reúnem em grupos, de quatro a 16 jogadores, em espaços fechados, com temas distintos e inéditos, onde suas habilidades estão associadas a fuga dessas 'prisões'

Por O Dia

Rio - Jogos interativos presenciais, com base em soluções de enigmas, sem interferências do ambiente externo, estão virando febre no Rio de Janeiro. Como nas badaladas disputas no mundo virtual, salas com diversos tipos de temas (escape rooms) espalhadas por bairros como Botafogo e Copacabana, na Zona Sul; e Barra da Tijuca, na Zona Oeste, transportam os jogadores para ambientes lúdicos. Amantes em desvendar mistérios se reúnem em grupos, de quatro a 16 jogadores, em espaços fechados, com temas distintos e inéditos, onde suas habilidades estão associadas a fuga dessas “prisões”. Amparado em pistas, o grupo só tem uma hora para se ver livre. Esse tipo de diversão, desenvolvida na capital por empresas como a Escape 60 e Escape Time, já ocupa o 12º lugar, entre 60 dicas, apontadas pelo site TripAdvisor, de entretenimento na cidade, à frente dos tradicionais bares, restaurantes e cinemas.

Ambientação das salas é estimulada por sons e detalhes que compõem clima de suspenseDivulgação

“É uma sensação indescritível. Adrenalina pura. Eu e mais seis amigos já jogamos em cenários imitando laboratório,hotel, cadeia e até cemitério”, conta a advogada Aline Marques Costelha do Amaral, de 28 anos, revelando que sua turma, formada também por Delcir Junior, 30; Evandro Rebello, 43; Andressa Nazareth, 27, e Danilo Cartaxo, 27, chegou até a criar um nome, “Escapers”, para, segundo ela, “estudar estratégias” para cada desafio.

Iuri Guimarães, 26 anos, também não esconde a emoção. “As salas nos remetem a cenários de filmes, como Alice no País das Maravilhas, e tramas virtuais. Parece que somos transportardos para dentro de uma TV ou computador, ou para um tabuleiro de jogo de detetive”, compara.

Fábio Graziano, 53, gerente da empresa Escape Time, afirma que não pode revelar muitos detalhes, para não estragar a surpresa de quem nunca jogou, mas adianta que cada cômodo, que embora não tenha interferência, é monitorado o tempo todo, tem temas, cenários e pistas diferentes, escondidas em locais inimagináveis.

“Conforme a história é desvendada, o jogo vai ganhando vida. Entre gargalhadas e suspenses, os jogadores passam por testes incríveis de habilidades mentais, raciocínios instantâneos e psicológicos. Os cariocas e turistas estão fugindo da mesmice, em termos de diversão”, comenta Flávio, ressaltando que os grupos interessados devem agendar previamente pelo site www.escapetime.com.br. Desde a inauguração de salas em Botafogo, na Rua 19 de Fevereiro, em junho, o Escape Time já recebeu pelo menos mil pessoas. A agenda, segundo Fábio, é aberta de terça a domingo, das 14h às 23h. Os preços variam de R$ 69 por pessoa, de 3ª a domingo, a R$ 79 nos finais de semana e feriados.

A advogada Aline Costelha (ao centro) e o grupo denominado “Escapers”%2C que até estuda estratégias para conquistar boas posições em rankingDivulgação

Já a Escape 60 conta com duas unidades no Rio, em Copacabana, no Shopping Cassino Atlântico, e na Barra da Tijuca, no Shopping Downtown, há pouco mais de um ano. Juntas, oferecem nove salas temáticas. Elas foram batizadas de Corredor da Morte, Operação Regaste, Escandalo de Star-Kov, Salvem Nossas Almas (S.O.S.), Jogo Sujo, E60 – A Missão, O Laboratório do Dr. Mortare, O Falsário, Escape Kitchen, R.I.P. – Rest in Peace, Bates Motel e O Escândalo de Star-kov. Os ingressos para as salas são vendidos exclusivamente pelo sitewww.escape60.com.br, via PagSeguro.

Os participantes devem aceitar um termo com as regras do jogo, estipulados pelas empresas, que também servem para os colaboradores. Em caso de necessidade — se algum participante passar mal, por exemplo, existe um botão de emergência, que abre a porta da sala imediatamente, antes dos 60 minutos de prazo.

Segundo os administradores do divertimento, a sintonia e a interatividade entre os integrantes são primordiais para desvendar os enigmas. Quando o grupo conquista o desafiador objetivo do jogo dentro do prazo estipulado, além da superação e satisfação pessoal, entra para o ranking do Escape 60, um tipo de galeria da fama. “É isso que perseguimos”, brinca Aline Costelha, dizendo que das quatro vezes que jogou, sua turma conseguiu sair ilesa em duas. “Está na hora de ficarmos à frente”, planeja. 

Nova atração virou opção para eventos

De acordo com os empresários do setor, a taxa de resolução dos enigmas gira em torno de apenas 15%. Ou seja, os jogos são difíceis e a maioria dos participantes não consegue escapar em uma hora. Menores de 12 anos só podem jogar acompanhados dos pais ou responsáveis.

“Chega a ser desesperador, quando os jogadores, em meio a um misto de medo, emoção, euforia, se desentendem para achar pistas. Mas é fascinante. Aprendemos que sem cooperação não chegamos a lugar nenhum”, diz a publicitária de Copacabana, Mariah de Sá, 35 anos, que jogou com o marido, Jayme, 38, e o filho Leandro, 13, na semana passada.

A nova alternativa de diversão familiar também virou opção para a comemoração de aniversários, eventos corporativos, e dinâmicas de grupos, com cenários que podem ser adaptados conforme a necessidade do cliente. Nos sites que administram as salas, citados nesta matéria, os interessados podem conhecer maiores detalhes sobre cada uma delas.

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