Menina que sofreu ofensas religiosas em colégio se encontra com secretário

Casos de intolerância contra a adolescente começaram no ano passado, quando ela entrou no Ensino Médio em escola de São Gonçalo

Por O Dia

Rio - Uma menina, de 15 anos, se encontrou com o secretário estadual de Direitos Humanos, Átila A. Nunes, nesta terça-feira, após sofrer ofensas religiosas dentro de sala de aula. De acordo com Kethlyn Coelho, os casos de intolerância começaram no início do ano passado, quando ela entrou no Ensino Médio do Colégio Estadual Manuel de Nóbrega, em São Gonçalo.

A menina e o pai foram recebidos na Secretaria de Direitos HumanosMaíra Coelho / Agência O Dia

A adolescente contou aos pais que um menino, de 15 anos, passou a proferir ofensas como “gorda macumbeira” e “macumbeira tem que morrer” durante as aulas. A vítima já havia sido encontrada pelo menos três vezes por professores chorando nos corredores do colégio.

Na semana passada, Kethlyn discutiu com o colega de classe em uma aula de história após ser ofendida por ele. No entanto, segundo a menina, a professora não gostou da discussão e a mandou sair sala. Depois, a adolescente foi suspensa por uma semana.

Após tomar conhecimento do caso, o pai da jovem, Leandro Bernardo Coelho, 35 anos, procurou a direção do colégio para solicitar um encontro com os pais do menino acusado de proferir as ofensas. O pedido foi feito na terça-feira da semana passada, mas, segundo ele, o encontro ainda não foi realizado.

Com isso, Leandro procurou a Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam) de São Gonçalo, na tarde desta segunda-feira, para registrar o caso.  Ele pede que a polícia investigue a conduta da professora que retirou a menina de sala e a postura da direção do colégio. “Eu aceito a religião de todo mundo, mas quero que aceitem a minha. A educação que dou aos meus filhos é de não tentar impor a sua religião para ninguém”, ressaltou.

Leandro ressaltou que a jovem já havia sido alvo de preconceito quando estudava em uma escola municipal, também em São Gonçalo. Mas ele contou que o colégio organizou uma excursão ao Museu Histórico Nacional para ensinar aos jovens sobre a influência dos negros na nossa cultura depois do ocorrido.

O pai lembrou que, no início do ano letivo no colégio estadual, ao perceberem que a jovem estava com a cabeça raspada devido ao ritual religioso de iniciação na umbanda, os colegas zombaram da menina dizendo que ela estava com câncer e também que ela havia sido agredida por traficantes.

No encontro desta terça, o secretário Atila A. Nunes disse que vai acompanhar o caso. “Vamos atuar em duas frentes: uma com a secretaria estadual de Educação para levar capacitação ao colégio e a segunda com a polícia. Vamos acompanhar o caso para que outros episódios como este não se repitam”, garantiu.

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