Carros-fortes viram alvos no Rio

Número de assaltos a veículos de transporte de valores em 2017 já superou o registrado em todo o ano passado

Por O Dia

Rio - O número de assaltos a carro-forte no Estado do Rio em 2017 já é maior do que em todo o ano passado. Na tarde de terça-feira, um ataque de bandidos quando uma empresa de transporte de valores levava dinheiro para abastecer um caixa eletrônico em um supermercado, em Anchieta, na Zona Norte, terminou em tiroteio, que matou a caixa Monique da Silva Faria. Um dos suspeitos do roubo também morreu e um vigilante ficou ferido.

Câmeras de segurança registraram o intenso tiroteio que ocorreu na entrada do supermercadoDivulgação

De acordo com a Associação Brasileira de Transporte de Valores (ABTV), foram nove roubos a carro forte no estado, neste ano (até 25 de julho, sem contar o ataque desta terça), contra oito registros em 2016. Desde 2015, a entidade afirma que os assaltos aumentaram 125% (comparando com os dados deste ano, até julho).

O Presidente do Sindiforte (Sindicato dos Empregados em Empresas Transportadoras de valores), José Roberto Bezerra, explica que os bandidos usam duas principais táticas para burlar a proteção dos carros-fortes. Uma delas é atravessar automóveis e até carretas na pista para bloquear a passagem dos veículos, e, em seguida, usam explosivos que arrancam as portas do carros. Outra tática é abordar os vigilantes no momento do embarque ou desembarque, como ocorreu no assalto de terça.

Para o presidente do Sindiforte, o número de casos poderia ser ainda maior porque, segundo ele, houve, desde o ano passado, outros 19 ataques que não deram certo porque os vigilantes conseguiram evitar. Bezerra disse que o sindicato pleiteia a liberação do uso da carabina 380, que tem poder de fogo semelhante a um fuzil, arma utilizada pela maioria dos criminosos nos ataques.

"Hoje, os bandidos preferem abordar os vigilantes no desembarque ou embarque, o que aumenta a possibilidade de confronto." 

Tragédia da violência

Monique levou dois tirosDivulgação

O sonho de Monique da Silva Faria, de 30 anos, em dar uma vida mais digna para os dois filhos foi interrompido na tarde de terça-feira quando foi atingida por dois tiros no assalto aos vigilantes do carro-forte no supermercado em que trabalhava, em Anchieta.

O crime aconteceu por volta das 14h, quando faltavam poucos minutos para Monique encerrar o expediente. Testemunhas contaram que quatro homens chegaram armados de fuzil para roubar o carro forte. Os vigilantes reagiram, e começou o tiroteio, que deixou ainda o vigilante Marco Cândido ferido gravemente, e um dos bandidos morto.

Monique que havia ficado desempregada por três anos foi baleada na virilha e na nádega. Socorrida para o Hospital Estadual Carlos Chagas, passou por uma cirurgia, mas não resistiu. De acordo com parentes e amigos, a mulher estava muito contente com o novo emprego e tinha vários planos para seus dois filhos uma menina de 10 anos e um menino de 7. "Olha aí, a Monique estava trabalhando quando morreu. Estamos muito abalados com isso. Uma menina muito boa e trabalhadora. Não estamos seguros nem no trabalho", lamentou Marco Navega, amigo da família da vítima, que reclamou da falta de segurança na região. "Nós só queremos o que é de direito: segurança. Não tem como viver nesta situação", completou. 

Suspeito era segurança de Arafat 

No Instituto Médico Legal (IML) do Centro, ontem, pela manhã, José Emanuel, marido de Monique Silva Faria, foi amparado durante todo o tempo por amigos e parentes. No mesmo instante em que a família da vítima liberava seu corpo, parentes do suspeito Breno Soares Lopes, conhecido como 'Peludinho', que também foi morto na troca de tiros, fazia o mesmo procedimento. Segundo a polícia, ele era segurança do traficante Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, apontado como chefe do tráfico do Complexo da Pedreira e preso desde o ano passado. De acordo com a Polícia, Peludinho participou do assalto ao carro-forte e morreu baleado pelos seguranças do veículo. Com o criminoso, os policiais apreenderam um fuzil. Até ontem, à noite, o vigilante Marco Cândido estava em estado grave no Hospital Carlos Chagas.  


*Reportagem dos estagiários Matheus Jório e Rafael Nascimento, sob supervisão de Claudio Souza

 

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