Secretário de Educação inicia série de projetos que prometem revolucionar ensino

'Adotei como meta zerar o analfabetismo funcional na rede', diz César Benjamin

Por O Dia

Rio - Convenhamos que nunca passou pela cabeça do carioca que um secretário de Educação do município tivesse coragem de peitar a polícia, exigindo a retirada dos temíveis "caveirões" das portas de escolas. Muito menos se imaginava que um secretário viesse a público denunciar que centenas de escolas estavam sendo fechadas, deixando milhares de crianças sem aulas, por causa de tiroteios insanos que não deixavam ninguém feliz. O que ninguém sonhava, um homem tornou real. E esse homem também sonha.

Os sonhos do Professor BenjaminAgência O Dia

Só que os sonhos dele atendem pelo nome de metas. "E eu adotei como meta zerar o analfabetismo funcional na rede", diz com toda a convicção do sonhador, o secretário municipal de Educação, César Benjamin.

"Logo que entrei na secretaria percebi que havia discrepância grande entre o que as estatísticas mostravam e a percepção que vinha da conversas com diretores e professores", explica o secretário.

Os números oficiais indicavam um residual de analfabetismo na ordem de 2%, na rede. Os dois primeiros anos do Ensino Fundamental, quando não há reprovação, são os períodos em que os estudantes têm que aprender a ler, escrever e dominar os princípios básicos da matemática. No entanto, quando os alunos chegavam ao terceiro ano, muitos continuavam apresentando dificuldades nestes fundamentos. Tanto que cerca de 24% eram reprovados.

"O que é um problema muito grave tanto para os alunos, que vão ficando para trás, se desestimulando, o que acaba resultando em evasão; quanto para a rede, porque ela é desenhada para ter um fluxo. Se o aluno em vez de fazer o curso em nove anos, faz em 12, em 13, fica muito mais gente. Isso é um peso enorme", afirmou o secretário.

Para acabar com o problema, o professor Benjamin montou um mega-projeto, com um time de dois mil professores alfabetizadores, para romper a situação atual. "Esse é o grande projeto pedagógico que estamos montando e que exigirá também o apoio de psicólogos, assistentes sociais e profissionais da área de saúde", ensina o secretário, lembrando que há um subgrupo de alunos que têm dificuldades especiais de aprendizado, embora não sejam deficientes.

"Às vezes, é um problema simples. A criança pode ser míope. Se ela tiver óculos no primeiro ano, provavelmente, vai passar de ano".

Apesar de ser o maior desafio, o fim do analfabetismo funcional na rede não é o único sonho do professor Benjamin. Ele quer montar uma sinfônica. "Nossa expectativa é terminar a gestão, com uma orquestra de 120 alunos da rede. Para isso, temos que ter milhares de jovens fazendo música aqui atrás. Então, no nosso projeto, a gente chega a 2020 formando 80 mil instrumentistas".

O professor Benjamin também tem projetos para teatro, capoeira e horta nas escolas. Para tornar os sonhos realidade, em tempos de recursos escassos, pela primeira vez, o município vai recorrer às leis de incentivo fiscal. "Montei um grupo de captação de recursos", revela o professor Benjamin, que pretende convencer a sociedade e, principalmente, a iniciativa privada a sonhar com ele.

Servidores não foram esquecidos

Para concretizar os sonhos, o professor Benjamin vai buscar recursos financeiros através das Leis de Incentivos Fiscais. Mas, os recursos humanos ele vai buscar na sala de aula mesmo. São professores da rede que vão comandar os projetos de música, capoeira, teatro e da horta. Mas, os profissionais da Educação também estão no foco das transformações projetadas pelo secretário.

"Estamos iniciando enorme revisão na área de recursos humanos", garante César Benjamin, que pretende negociar as mudanças com o corpo funcional e o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe). Dentre os temas, a garantia de um tempo fora das salas, para os docentes planejarem as aulas e se atualizar; revisão do método de trabalho das merendeiras, que sofrem com o serviço pesado; migração das pessoas que foram contratadas para 16 horas ou 22 horas e querem passar para carga de 40 horas, semanais; e valorização das equipes gestoras, entre outros.

Últimas de Rio De Janeiro