Ônibus têm média de 35 roubos por dia

Apenas a 21ª DP, que abriu inquérito para investigar o assalto ao coletivo de ontem, já contabilizou 541 casos entre os meses de janeiro e julho

Por O Dia

Rio - Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que a violência passou a fazer parte da rotina de quem depende do transporte por ônibus. Neste ano, até julho, foram registrados 8.785 roubos em coletivos no Rio, uma média de 35 casos por dia, o que representa 30% de aumento em comparação ao mesmo período de 2016.

Apenas a 21ª DP, que abriu inquérito para investigar o assalto ao coletivo de ontem, já contabilizou 541 casos entre os meses de janeiro e julho deste ano.

Em janeiro, a série de reportagens do DIA, 'Passageiros da Agonia', já denunciava o medo de quem utilizava as linhas de ônibus do Grande Rio. A reportagem mostrou que só a região da Central do Brasil tinha 38% dos roubos a coletivos do Centro.

Baleado em ônibus

Um homem foi baleado dentro de um ônibus durante assalto na manhã de ontem, na Avenida Brasil, em frente ao Parque União, na Maré. Carlos Alberto dos Santos Fernandes, de 38 anos, escutava música com fones de ouvido e não teria percebido que o coletivo estava sendo assaltado por dois criminosos armados. Segundo uma testemunha, que pediu para ter a identidade preservada, a vítima foi baleada no abdômen mesmo sem reagir ao assalto. Fernandes foi submetido a uma cirurgia no Hospital Federal de Bonsucesso e está fora de perigo.

Homem foi baleado em tentativa de assalto em ônibus na Avenida BrasilEstefan Radovicz / Agência O Dia

Ainda de acordo com a testemunha, os dois assaltantes embarcaram no ponto final da linha, em Duque de Caxias, e estavam vestidos com calça jeans, camiseta, tênis e mochila. O veículo, do tipo frescão, da Viação Rio Minho, tinha como destino o município de Niterói, mas ao passar em frente à comunidade Parque União, os criminosos anunciaram o assalto e começaram a recolher pertences dos passageiros. Após disparar contra a vítima, os assaltantes fugiram em direção ao Complexo da Maré.

O episódio violento fez com que a família do motorista pedisse a ele para se afastar da profissão devido aos riscos. O profissional, que pediu para não se identificar, comentou que temeu pela própria vida devido ao nervosismo dos assaltantes.

"Antes eu saía de casa preocupado apenas com o trânsito intenso. Agora, quando saio para trabalhar, fico com medo de ser morto em algum assalto", desabafou. Ele afirmou que nem mesmo as câmeras dos ônibus inibem as ações criminosas, que acontecem em grande maioria no trecho da Avenida Brasil, próximo à Maré.

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