Por gabriela.mattos

Rio - O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, acolheu denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal no Rio contra Alexandre Pinto, ex-secretário de Obras da gestão do ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB) e outras dez pessoas. Todos são acusados de participar de suposto esquema que teria desviado R$ 36 milhões de obras públicas,  como a Transcarioca e a recuperação da Bacia de Jacarepaguá.

A Procuradoria denunciou o grupo, investigado na Operação Rio 40 Graus, por corrupção e lavagem de dinheiro. A defesa do ex-secretário não foi localizada pela reportagem. 

Alexandre Pinto na sede da PF após ser presoEstefan Radovicz / Agência O Dia

O MPF apurou que a organização tem estruturação e divisão de tarefas em três núcleos básicos. O primeiro é o econômico, formado por executivos das empreiteiras contratadas para execução de obras pelo município, como a Carioca Christiani Nielsen Engenharia, a OAS – por meio dos denunciados Antônio Cid Campelo Rodrigues e Reginaldo Assunção – e a Andrade Gutierrez, as quais ofereceram vantagens indevidas a agentes políticos, servidores públicos e associados.

O núcleo administrativo, é formado por políticos e servidores públicos, que solicitaram e administraram o recebimento das vantagens indevidas pagas pelas empreiteiras. Os denunciados Alexandre Pinto da Silva, Eduardo Fagundes de Carvalho, Alzamir de Freitas Araújo, Ricardo da Cruz Falcão, Carlos Frederico Peixoto Pires, Antonio Carlos Bezerra, Alexandre Luiz Aragão fizeram parte deste núcleo na condição de secretário Municipal de Obras do primeiro e de fiscais de obras dos demais, bem como o denunciado Laudo Aparecido Dealla Costa Ziani, ao solicitar pagamento de vantagem indevida para influir em ato praticado por agentes públicos vinculados ao Ministério das Cidades, conforme o MPF.

O último braço é o núcleo financeiro operacional, formado por responsáveis pelo recebimento e repasse das vantagens indevidas e pela ocultação da origem, através de de técnicas de lavagem de dinheiro. No caso, a denunciada Vanuza Vidal Sampaio, responsável pelo recebimento e repasse das vantagens indevidas e pela ocultação da origem espúria, através da utilização de seus escritórios de advocacia.

Relembre o caso

Alexandre Pinto foi preso na operação 'Rio, 40 graus', um desobramento da Lava Jato, na manhã desta quinta-feira. Ele foi encontrado por policiais federais em casa, em um condomínio de luxo, na Taquara, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, em agosto.

??A nova fase foi iniciada após quatro anos de investigações de contratos no governo de Paes. Nesta operação, os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) se basearam na delação premiada de Luciana Salles Parente, ex-integrante do conselho do consórcio formado pela OAS, Carioca Engenharia e Contern. Assim como o DIA publicou em abril deste ano, Luciana relatou à Justiça um esquema de pagamento de propinas ao Tribunal de Contas do Município (TCM) por obra do lote 2 do corredor BRT Transcarioca, trecho entre a Penha e o Galeão. 

Os agentes investigam o pagamento de propina nas obras da Transcarioca e da drenagem do córrego da Bacia de Jacarepaguá.

?Com informações do Estadão Conteúdo

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