Ataque a terreiros é 'terrorismo'

Afirmação é de religiosos e advogados. Eles pedem que indiciados respondam por terror social

Por O Dia

Rio - Líderes religiosos e especialistas em Direito querem que os criminosos já identificados pela polícia por atacarem terreiros de religiões afro-brasileiras no estado, especialmente na cidade do Rio e na Baixada Fluminense, respondam judicialmente pelo crime de terrorismo e não somente por danos privados e ao patrimônio. Conforme O DIA publicou ontem com exclusividade, a Polícia Civil já indiciou pelo menos seis traficantes por destruição de altares de Umbanda e Candomblé.

Ontem, alguns líderes evangélicos denunciaram que estão sendo perseguidos na internet sob a acusação, que negam veementemente, de estarem incitando depredações de casas de santo. Hoje, o pastor da Igreja Assembleia de Deus Tempo de Restauração, André Assis, vai à delegacia para registrar as ameaças recebidas pelas redes sociais.

O pastor André%3A perseguição na Internet por supostamente incitar perseguições a centros%2C o que ele negaJadson Marques

"Pegaram uma foto minha, de seis anos atrás, em uma pregação junto a traficantes, os quais eu resgato do crime há uma década, e estão dizendo que eu estaria dando ordens para invadirem e quebrarem templos de Candomblé e Umbanda. Uma calúnia que está botando a minha vida e de minha família em risco", defendeu.

Para o advogado e professor da Plataforma Umbanda EAD, Hélio Silva, a coação de sacerdotes, obrigados a danificarem objetos religiosos perante filmagem, tem o propósito de provocar terror social. "Trata-se, portanto, de crime de terrorismo, cuja pena pode chegar a 30 anos de reclusão. E a apuração e julgamento são da Policia e Justiça Federal", argumentou.

Hélio defendeu ainda que essas ocorrências sejam denunciadas à Anistia Internacional, uma vez que, esse tipo de crime é resultado de décadas de omissão das autoridades, "que nada fazem para coibir a propaganda de ódio e a incitação à violência contra as religiões afro-brasileiras". A intolerância, discutida ontem na Alerj, será debatida amanhã, em Nova Iguaçu, e no domingo, na 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em Copacabana.

Lideranças da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa, se reúnem hoje e amanhã com representantes de direitos humanos da União e estado, para discutirem a questão dos ataques aos terreiros.

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