Polícia realiza megaoperação na Rocinha

Ação acontece após domingo de terror com intenso tiroteio na comunidade

Por O Dia

Rio - As polícias militar e civil realizam uma megaoperação na Rocinha, na Zona Sul do Rio, desde às 4h30 desta segunda-feira. O objetivo da ação é identificar e prender os criminosos envolvidos na disputa do tráfico de drogas local. 

A UPP e o 23ºBPM (Leblon) realizam o cerco da ação, que já conta com seis presos, um morto, um baleado e uma arma apreendida. Uma escola do local chegou a ser aberta, mas fechou em seguida.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, unidades escolares na Rocinha, Comunidade Vila Canoas, Vidigal, Serrinha e Juramento estão sem atendimento nesta segunda-feira. No total são oito escolas, seis creches e uma EDI e 4.441 alunos sem aulas.

Polícia realiza operação na RocinhaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Não houve tiroteio nesta segunda e os moradores seguem normalmente suas rotinas, mas o clima na comunidade ainda é de tensão. "Não está nada tranquilo lá em cima. Desculpa, mas a gente não pode falar", disse uma moradora que não quis se identificar.

Por volta das 9h10, a arma de um policial disparou dentro do carro e três tiros atingiram uma placa de "Bem-vindo a Rocinha". 

Neste domingo, os moradores viveram momentos de terror na comunidade: foram mais de cinco horas de tiroteio entre traficantes, pelo menos duas pessoas morreram e a saída do metrô foi fechada.

A comunidade ficou sem luz e, nesta segunda, cerca de 20% dos moradores continuam sem eletricidade, já que os funcionários da Light não conseguem entrar no local para realizar reparos nos transformadores que foram atingidos por disparos.

Polícia revista carros na subida da Estrada da GáveaEstefan Radovicz / Agência O Dia


Intenso tiroteio

De acordo com a PM, a troca de tiros começou na madrugada de domingo e uma guarnição da UPP foi atacada na Via Ápia, um dos principais acessos. Alunos de um curso pré-vestibular comunitário perderam a prova e a Prefeitura pediu aos motoristas que evitassem a região.

"Hoje foi o dia em que o bem perdeu para o mal, e foi de lavada! Uma mistura de tristeza e raiva define o sentimento que tive quando acordei e vi as mensagens dos alunos", escreveu Mariana Alves, uma das diretoras do curso pré-vestibular Projeto de Ensino Cultural e Educação Popular, em seu Facebook. Ela contabilizou que 80% dos alunos não conseguiram sair de suas casas.

Vídeos de traficantes circulando pela Rocinha e trocando tiros foram postados nas redes sociais. Em um deles, um policial filma de dentro de uma base da UPP, enquanto outro pede reforço. "Uns 20 gansos(traficantes) de fuzil aqui", diz um agente pelo rádio. É possível escutar outro falando: "Se esconde, se esconde". Viaturas da PM foram vistas abandonadas pelas vielas.

"É uma disputa pela venda de drogas na Rocinha, já que era do Antonio Bonfim e agora está sob a liderança do Rogério Avelino", disse o delegado Antônio Ricardo, da 11ªDP (Rocinha). "Todos que forem identificados vão responder por tentativa de homicídio, resistência qualificada, disparo de arma de fogo, associação ao tráfico e porte ilegal de arma", afirmou o investigador.

Avelino é conhecido como Rogério 157. Antonio Francisco é identificado no mundo do tráfico como Nem ou Mestre. Ele está na cadeia desde 2011 e estaria descontente com a administração de Rogério, que cobra taxas do comércio, da mesma forma que atuam milicianos. Rogério teria matado traficantes leais a Nem, que organizou a retomada dos pontos de venda de drogas com ajuda de traficantes do São Carlos, no Estácio, e da Vila Vintém, na Zona Oeste.


Últimas de Rio De Janeiro