Polícia realiza operação na Rocinha pelo segundo dia seguido

Na noite desta segunda, moradores voltaram a relatar intenso tiroteio na favela. Policiais do Bope atuam na comunidade nesta manhã

Por O Dia

Rio - Pelo segundo dia seguido, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fazem uma operação contra o tráfico de drogas, na Rocinha, Zona Sul do Rio, na manhã desta terça-feira. A ação, que tem apoio da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e do 23º BPM (Leblon), ocorre após frequentes tiroteios na comunidade. Os PMs buscam ainda traficantes que tentaram invadir a favela. Segundo a polícia, dos 50 bandidos que participaram da invasão, oito já foram identificados. 

Polícias militar e civil fizeram megaoperação na Rocinha após guerra entre traficantesEstefan Radovicz/Agência O DIA

Na noite desta segunda, moradores voltaram a relatar muitos tiros. "Não temos paz", disse um deles. "Clima de guerra", definiu outro. O confronto começou depois de uma megaoperação das polícias militar e civil. 

Na ação, três pessoas foram presas e três morreram. Os suspeitos de tráfico foram identificados como Wilklen Nobre Barcelo, 20 anos; Edson Gomes Ferreira, 30 anos; Fábio Ribeiro França, 19 anos.

Sobre os mortos, dois corpos carbonizados foram encontrados pelos agentes no alto da comunidade, como resultado da guerra entre traficantes que querem tomar a parte de cima da favela. O terceiro suspeito foi morto em confronto com o Bope. Não há a identificação das vítimas e a Delegacia de Homicídios (DH) investiga o caso.

Neste domingo, os moradores viveram momentos de terror na comunidade: foram mais de cinco horas de tiroteio entre traficantes, pelo menos duas pessoas morreram e a saída do metrô foi fechada.

A comunidade ficou sem luz e, nesta segunda, cerca de 20% dos moradores continuam sem eletricidade, já que os funcionários da Light não conseguem entrar no local para realizar reparos nos transformadores que foram atingidos por disparos. 

Sá admite falhas

Após intensos confrontos da Rocinha desde domingo, o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, falha na operação para conter a invasão dos traficantes, mas minimizou o fato. "Cobrei do comandante-geral o que pode ter acontecido porque já havia notícias do setor de Inteligência dessa inquietação, dessa instabilidade, com o possível racha dessa facção, como ocorreu. Houve um reforço, mas ele me confirmou que esse reforço, ou foi insuficiente, ou houve uma falha na operacionalização. Se não foi possível evitar a invasão, houve equívoco. A busca agora é para que moradores voltem a ter paz", destacou.  

UPA reabre após confrontos

Por causa do intenso tiroteio, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região foi fechada nesta segunda e reaberta apenas na manhã desta terça. Uma funcionária da unidade, que preferiu não se identificar, contou que 200 pessoas costumam ser atendidas diariamente no local.

"Ao todo, temos 172 funcionários aqui. Precisamos ser mais fortes que a violência. Ontem [segunda-feira], quando mandaram fechar, eu até chorei. Imagina essa unidade, um lugar que atende várias pessoas carentes, fechada sob o julgo do tráfico. É lamentável", enfatizou a profissional, acrescentando que é a primeira vez que a unidade foi fechada desde que foi inaugurada na Rocinha, há sete anos.

Paciente da UPA, a aposentada Judi Dantas Prado, de 71 anos, é moradora da Rocinha há 30 anos e foi buscar remédios nesta terça. "A unidade é muito importante. Às vezes a comunidade não valoriza o que tem", afirmou.

Judi disse que, no domingo, estava indo para a missa momentos antes de começar os confrontos. Ela lembrou ainda que passou por um bandido no caminho. "Ele me perguntou onde eu estava indo e disse para eu rezar em casa. Eu obedeci o conselho e voltei. Imagino o que poderia ter acontecido algo comigo caso eu tivesse ido", destacou a idosa, que ia à igreja acompanhada de amigas.

Assim como Judi, a aposentada Lúcia de Morais, de 60 anos, comemorou a reabertura da unidade. "Estou feliz", definiu. O comércio também foi reaberto nesta terça.

Operações em outras seis favelas

Ainda de acordo com a PM, o Bope também realiza operações no Morro do Vidigal, também na Zona Sul do Rio, enquanto o Batalhão de Choque faz uma ação no Morro do São Carlos, no Estácio, e no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Policiais militares atuam ainda no Chapéu Mangueira e Babilônia, além do Complexo da Pedreira. Não há balanço das ações até o momento.

Últimas de Rio De Janeiro