Operação na Rocinha não tem hora para acabar, afirma Roberto Sá

Secretário de Segurança disse que chamar Forças Armadas não foi uma mudança de ideia, mas uma avaliação de incidentes e riscos

Por O Dia

Rio - O secretário de Segurança Roberto Sá afirmou, nesta sexta-feira, que a operação na Rocinha, na Zona Sul do Rio, não tem hora para acabar e revelou ainda que as ações evoluíram ao longo do dia. De acordo com Sá, as maiores dificuldades para as forças militares são a falta de luz e a topografia difícil do local. "As dificuldades e os desafios nos provocam e vamos seguir em frente e continuar lá", comentou.

Forças armadas cercam a favela da RocinhaFOTOS%3A MÁRCIO MERCANTE / AG. O DIA

Segundo o ministro da Defesa Raul Jungmann, 950 homens do Exército participarão da ação na comunidade, juntamente com forças policiais do estado. A Polícia Federal também está presente na região.

Ao ser questionado sobre o apoio das Forças Armadas, o secretário comentou que não houve uma mudança de ideia, mas que a secretaria estava avaliando os incidentes e os riscos de ocupar a área. "É normal que a polícia faça o primeiro embate e os reforços sejam pedidos conforme a necessidade", argumentou. 

Para Roberto Sá, neste momento os criminosos da Rocinha estão em vantagem tática porque estão mais no alto. No entanto, disse acreditar que o Rio não está em guerra, apesar da situação frequente de violência urbana.

O secretário pediu que os moradores da Rocinha sigam as recomendações policiais e que nos momentos de confronto busquem abrigo em área de concreto. "Eles devem tentar voltar a vida normal e lembrar que quem causa esta situação é o criminoso."

Sá também falou sobre os tiroteios registrados em diversas comunidades nesta sexta-feira. "Não houve ação orquestrada, porque são comunidades de facções diferentes", disse ele ressaltando que a ação da polícia gera instabilidade. 

Mais cedo, policiais trocaram tiros com suspeitos na favelaFOTOS%3A MÁRCIO MERCANTE / AG. O DIA

Sobre o pedido do Rodrigo Maia, que disse querer a exoneração dele, ele disse respeitar a opinião do parlamentar."Respeito a opinião dele como a de qualquer outra pessoa, todo mundo tem opinião sobre futebol, religião, política... Mas o cargo de secretário de Segurança é do governo do estado", afirmou. "Enquanto o governador quiser permaneço na posição com toda a disposição, e os desafios me atraem", comentou.

Já Robertto  Rossato, almirante do estado maior conjunto do Comando Militar do Leste (CML) considera as operações até agora um sucesso e informou que as tropas continuarão dando o apoio necessário as operações. "Permanecerão no Rio o quanto for necessário, está garantido até o fim de 2017, mas pode estender até 2018."

Segundo ele, militares estão nas áreas de vegetação, nos acessos e outras tropas especiais para comunicação. "Dessa vez eles nós entramos porque a topografia do lugar exigiu", comentou.

Prefeitura do Rio se solidariza com moradores da Rocinha

O prefeito Marcelo Crivella enviou nota oficial sobre a situação na comunidade. Leia na íntegra:

"O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, acompanha a situação de medo e insegurança provocada por traficantes de drogas, nessa sexta-feira, dia 22, na Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul. Crivella se solidariza com os moradores que vivem na localidade e estão passando por dias extremamente difíceis. O prefeito reforça a recomendação das autoridades policiais para que as pessoas evitem circular nas áreas onde estiver ocorrendo operações das forças militares. O Centro de Operações Rio, ligado à Secretaria Municipal de Ordem Pública, reforçou o monitoramento das imagens na região. Por medida de segurança, agentes da Guarda Municipal e operadores da CET-Rio fecharam a autoestrada Lagoa-Barra entre 10hs e 14hs.

Apesar de ser uma responsabilidade do Governo do Estado, a Prefeitura do Rio não vai se eximir de contribuir com o que for possível para combater a violência na cidade. A criação, em abril, do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) - que reúne todas as forças para trabalhar em conjunto - e o redirecionamento da atuação do COR são algumas das ações para que o município participe de forma efetiva, com suas devidas atribuições, com a segurança da cidade. Além disso, o prefeito Marcelo Crivella já cobrou, em Brasília, a presença do Governo Federal nas ações de controle das rodovias, e também nas de apreensão de armas, principalmente fuzis. O prefeito considera que, com a colaboração de todos, o Rio vencerá essa batalha."

Reportagem da estagiária Nadedja Calado, sob supervisão de Thiago Antunes

Últimas de Rio De Janeiro