Professores dão aula no mesmo lugar onde um dia estudaram

No Dia do Professor, conheça alguns exemplos da rede estadual que retornaram às salas de aula do outro lado das carteiras

Por O Dia

Rio - Hoje comemora-se o Dia do Professor. No Rio de Janeiro são, aproximadamente, 70 mil docentes que atuam em mais de 1.200 escolas públicas da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc). Desse número, 95 unidades ofertam Curso Normal, de formação de professores. Nesses colégios é comum encontrar docentes que foram alunos e retornaram para trabalhar no mesmo espaço onde um dia estudaram e se formaram. São histórias de mestres que voltaram às salas de aula para desempenhar o papel de ensinar.

Lia%2C ao centro%2C e alunos do Normal do Instituto de Educação Governador Roberto Silveira%2C em Duque de Caxias%3A décadas de dedicaçãoSeeduc/ Divulgação

A paixão de Patrícia Fortuna, de 48 anos, pelo Magistério é antiga. Após concluir o Ginásio, antigo Ensino Fundamental, ela ingressou no Normal. Para chegar ao Colégio Estadual Julia Kubitscheck, no Centro, ela, que morava em Paquetá, atravessava todos os dias a Baía de Guanabara de barca, em um trajeto que durava cerca de uma hora e meia.

"Eu tinha que sair de casa às 5h30 em ponto para estar na escola às 7h. Acordava muito cedo, mas o esforço valia a pena. No Julia Kubitscheck, os professores sempre valorizaram muito a profissão, o que incentivou ainda mais minha escolha profissional", revela a docente que, há 15 anos, leciona Disciplinas Pedagógicas na unidade, referência na formação de professores na capital.

Ex-alunos na equipe

Para Gilma Cardoso, exercer o papel de professora no colégio onde estudou é a concretização de um sonho. "Eu sou apaixonada pela minha profissão". Foi com essa declaração que Gilma, do Colégio Estadual Vinte de Julho, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, definiu seu sentimento pelo Magistério. Entre tantas histórias que coleciona em 30 anos como docente, ela se orgulha de ter, atualmente, ex-alunos como colegas de trabalho.

"Eles serão sempre os meus pupilos. Ontem, eram meus alunos e, hoje, estão dando aula e passando adiante tudo o que aprenderam comigo. É gratificante saber que meu trabalho influenciou esses jovens", derrete-se a professora, de 47 anos, que concluiu o Curso Normal, com 16 anos, no Colégio Estadual Miguel Couto, em Cabo Frio, também na Região dos Lagos.

Natural de Arraial do Cabo, Gilma passou pelo Ciep 147 - Cecílio Barros Pessoa e pelo Colégio Estadual Almirante Frederico Villar, ambos da rede estadual de ensino, antes de lecionar no Vinte de Julho, onde está há 21 anos.

"Tenho uma ótima relação com meus alunos dentro e fora da sala de aula. Tanto que, até hoje, muitos deles me ligam no meu aniversário e mandam, com frequência, recados pelas redes sociais", conta a professora de Matemática.

Lia Klimroth, do Instituto de Educação Governador Roberto Silveira, em Duque de Caxias, que foi aluna dessa escola, conta que cresceu em uma família de professores. Ela revela que uma parte dos parentes estudou e deu aula nesta unidade de ensino.

"Minha mãe e minha irmã trabalharam no Instituto. Quando era aluna do Normal, sempre me envolvia nas atividades pedagógicas. Minha vontade era me formar, voltar e trabalhar nesta escola. Fiz o concurso, passei e estou aqui", comenta Lia, que há sete anos é professora do Instituto.

Com mais de 30 anos de Magistério, Maria Cecília Pacheco se diverte com a fama de "professora mais exigente do Normal" do Colégio Estadual Baldomero Barbará, em Barra Mansa. "Confesso que sou bastante exigente com os alunos; contudo, o mais gratificante é que, no fim, entendem que todo o rigor é para o benefício deles. A prova é que sempre recebo homenagens na formatura das turmas", emociona-se.

 

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