Tatuagens demonstram o tamanho da paixão de fãs por seus ídolos e times

Psicóloga e psicanalista Márcia Modesto afirma que idolatrar famosos é comum, mas adverte para excessos que podem desencadear patologias a partir do fanatismo

Por O Dia

"Sentia a necessidade de expressar meugrande amor pelo Fluminense de formamais exacerbada mesmo"%2C JESSYCA PONCE%2C bancáriaarquivo pessoal

Rio - A bancária Jessyca Ponce, de 23 anos, provocou uma polêmica e tanto entre parentes e amigos, ao exibir a tatuagem de uma fênix (ave símbolo da vitória) abraçada ao escudo do Fluminense. Nada de mais, se o desenho fosse discreto. A implicância se deu, porém, porque a homenagem ao clube das Laranjeiras simplesmente lhe cobriu as costas inteiras. A torcedora tricolor é representante legítima de uma nova legião de fãs que chama a atenção pelo exagero, e não mede esforços para demonstrar, na pele, o tamanho de suas paixões pelos ídolos.

"Não bastavam só ingressos das partidas, fotos e autógrafos. Sentia a necessidade de expressar meu amor pelo Flu de forma exacerbada", justificou Jessyca, que passou por dez sessões, totalizando 30 horas de tatuagem. Em casa, ela chegou a levar 'cartão amarelo'. "Não fui expulsa (risos), mas meus familiares acharam um absurdo. Diziam que não combinava com minha 'aparência delicada'. Hoje, tá tudo bem".

TATUADORES EM ALTA

A nova tendência, de cobrir partes do corpo com tintas especiais, com imagens em tamanhos que chamam a atenção, mesmo à certa distância, tem feito a alegria dos tatuadores. O último levantamento do Sebrae (entidade que estimula o empreendedorismo) aponta que os serviços de tattoos aumentaram 413% em apenas três anos, passando longe da crise em todo o país, que já tem 150 mil estúdios. O assunto será debatido na 3ª Expo Tattoo de São Gonçalo, uma das maiores do estado, entre os dias dias 24, 25 e 26 de novembro, no Clube Tamoio.

José Maurício dos Anjos segura a dor em uma das sessões de tatuagemarquivo pessoal

O flamenguista José Maurício dos Anjos, 32, por sua vez, como todo rubro-negro, não gosta de ficar em desvantagem com "adversários". Por isso está tatuando a camisa do time da Gávea em tamanho natural desde abril. Nascido em Joinville (SC), o motorista de poli-guindaste está atrás de patrocínio para realizar seu segundo maior sonho: conhecer os jogadores, no Rio. E de quebra, ajudar a bancar o custo da 'obra', orçada em R$ 10 mil. "Vai me custar caro, mas será um gol de placa", acredita. Seu tatuador, Sandro Chaves, o Maga Tatoo, diz que até dezembro, quando concluirá o trabalho, serão gastas tintas que dariam para 300 pequenas tatuagens.

José Maurício dos Anjos tatuou uma camisa do FlamengoDivulgação

Apaixonada pela cantora britânica Amy Winehouse, que morreu em 2011, a pedagoga Yasmin Cerdeira, 22 anos, é abordada, "com prazer", nas ruas, a todo momento. "Querem ver e tocar a arte que meu amigo (o tatuador) Thiago Luz fez no meu braço esquerdo. Durmo com Amy, minha maior inspiração de vida, com quem tenho total identificação, em tudo, todas as noites agora", brinca Yasmin.

Yasmin Cerdeira%2C 22 anos%2C tem desenho da cantora britânica Amy Winehousearquivo pessoal

Orgulho da profissão eternizado no corpo 

Profissionais também encontram na tatuagem a melhor forma de eternizar o orgulho por suas atividades. É o caso do cardiologista Rogério Moura, 36, coordenador do Serviço de Hemodinâmica do Hospital Balbino, em Olaria, que gravou no braço o primeiro cateterismo do mundo, de 1929. A dedicação ao ofício lhe rendeu o título de hemodinamicista mais jovem do Brasil, com 36 mil procedimentos e nenhum óbito.

Rogério Moura e a tatuagem do primeiro cateterismo no mundoLuiz Ackermann / O Dia

"Tinha que marcar bem minha gratidão pela medicina", resume.

A manicure Lidiana Alves, 30, do Salão Werner, no Barra Shopping, tatuou um alicate e espátulas de unha. "Amo o que faço. E demonstro isso sem falar nada".

A manicure Lidiana Alves%3A “Demonstro minha paixão sem falar”Divulgação

O tatuador Thiago Luz dá dicas: "Tenha certeza se o profissional tem experiência com trabalhos mais complexos; a origem dos pigmentos e se as agulhas são descartáveis e/ou esterilizadas".

A psicóloga e psicanalista Márcia Modesto afirma que idolatrar famosos é comum. Mas adverte para excessos que podem desencadear patologias a partir do fanatismo. "É quando a pessoa perde a própria identidade para viver num mundo irreal", alerta a psicanalista.

Veja o vídeo

 

Últimas de Rio De Janeiro