Polícia descobre esconderijo de socorrido em ambulância sequestrada

Delegado pede que família procure a polícia para que homem receba atendimento médico adequado

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil descobriu o paradeiro de Renan Barbosa Henrique Campos, o ferido que foi socorrido por suspeitos de tráfico da Vila do João, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, na madrugada de segunda-feira. Renan está escondido na Baixa do Sapateiro, também na Maré, e a polícia pede que a família procure a 21ª DP (Bonsucesso) para que ele receba atendimento médico adequado. Na ocasião do crime, os bandidos sequestraram um médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Maré e o motorista da ambulância para socorrê-lo. 

Vídeos obtidos pelo DIA mostram a movimentação dos bandidos na UPA. Eles circulam armados na unidade e passam diversas vezes pelo local onde Renan foi atendido. "Ele não tem mandado de prisão e pode ir para o hospital. Não é dar imunidade, é garantir que ele receba atendimento médico digno e salve sua vida", disse o delegado Wellington Vieira, titular da 21ª DP. 


O delegado afirmou que ainda investiga se Renan trocou tiros com PMs na Linha Amarela,  ocasião em que foi ferido. O homem não irá responder pelo sequestro da ambulância, já que estava inconsciente no momento da ação. A polícia já sabe que Renan, vulgo RN, é uma das pessoas que têm posição privilegiada no tráfico de drogas da Vila do João. No entanto, ele não possui passagem. RN foi identificado através de imagens de câmeras da UPA da Maré. 

Braço amputado

A Polícia Civil acredita que o atendimento a Renan tenha sido feito em clínica particular. Investigadores já têm o GPS da ambulância em mãos, que aponta o local como a Baixada. "Pelo relato do médico, pelo estado crítico em que ele foi socorrido, necessitando amputar um braço, deve ter sido feito em clínica particular, mas de forma clandestina, ou seja, para a polícia não ter conhecimento", disse Wellington Vieira.

Ambulância roubada por bandidos para socorrer ferido da Vila do João%2C na MaréEstefan Radovicz / Agência O Dia

De acordo com informações passadas ao delegado, o trânsito de traficantes é comum na UPA Maré. "Ficam na frente, andando nas ruas. Tanto que 50 deles estavam lá quando a ambulância chegou". A partir do depoimento do médico, que foi liberado três horas depois, ele vai investigar se os profissionais são contratados pelo tráfico de drogas. "Em depoimento, o médico sequestrado contou que dois homens que subiram na ambulância faziam perguntas com termos técnicos, indicando que teriam conhecimentos de Medicina".

O médico sequestrado afirmou que ficou somente dentro da ambulância durante três horas e meia. Após isso, ele foi colocado em um carro preto e levado de volta para a Maré.

Essa não seria a primeira vez que profissionais da saúde teriam sido contratados por traficantes na Maré. Em junho do ano passado, em uma casa onde o traficante Nicolas de Jesus, o Fat Family, estava escondido após ser resgatado do Hospital Souza Aguiar, a polícia encontrou ataduras, soro, gazes e anotações de tratamento médico.

Contradições

O médico sequestrado e o motorista que levou a ambulância do Engenho Novo até a Maré caíram em contradição nos depoimentos. Uma delas é a de que o médico disse a policiais que "dois homens subiram na ambulância, antes da saída da Maré. Os dois faziam perguntas em termos médicos". O médico também disse que não identificou nenhum dos homens, nem o rosto do traficante por fotos. O motorista disse que um dos homens que subiu era o porteiro da UPA.

"Temos que ouvir novamente o médico sequestrado. O depoimento foi superficial", declarou Vieira. Segundo ele, o médico cobria um plantão na Maré, mas integra a unidade da UPA Engenho Novo. "Parece que um médico faltou e ele assumiu o serviço na Maré às 19h".

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