Justiça manda soltar tenente da PM que atirou em carro com turistas na Rocinha

Militar foi preso em flagrante após ser apontado como o responsável pelo tiro que matou a espanhola Maria Esperanza Jimenez Ruiz

Por O Dia

Rio - O tenente PM Davi dos Santos Ribeiro, que atirou em um carro com turistas na Favela da Rocinha, nesta segunda-feira, teve liberdade provisória decretada Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ). A decisão, divulgada nesta terça, é do juiz Juarez Costa de Andrade. Na ocasião, Maria Esperanza Jimenez Ruiz, de 67, foi atingida no pescoço e morreu. No entanto, o tenente continuará preso por tempo indeterminado por crime militar (uso de arma de fogo).

PMs suspeitos de atirar em turista espanhola na Rocinha prestaram depoimento na delegacia durante a madrugadaReprodução TV Globo

Davi vai responder por homicídio. “Neste contexto, se de um lado, o trágico acontecimento repercutiu nesta Capital e no mundo, fato é que o custodiado estava trabalhando, possui imaculada ficha funcional, não havendo indícios de que solto possa reiterar o comportamento criminoso ocorrido à luz do dia”, afirmou o juiz na decisão.

O magistrado destacou que o militar não tem condições psicológicas de retornar às operações nas ruas e que deve ser afastado do exercício de policiamento ostensivo, exercendo apenas atividades administrativas. Ele também está proibido de manter contato com as testemunhas, inclusive com colegas militares que participavam da operação na Rocinha.  

O grupo de turismo responsável pelo passeio divulgou nota lamentando a morta da turista. Confira o documento na íntegra:

"O Grupo Rio Carioca Tour lamenta a morte da turista Maria Esperanza Ruiz. A empresa é uma agência de turismo legalizada e conta com guias credenciados. O grupo de Maria Esperanza era acompanhado por uma guia credenciada acostumada a fazer tours pela Rocinha, um roteiro muito procurado por turistas do mundo todo.

A agência não recebeu qualquer informação da Polícia nesta segunda-feira sobre confrontos ou problemas na comunidade.

A turista espanhola terminava um tour na favela da Rocinha quando foi baleada num trecho da comunidade onde há uma ONG e escola de samba. Em depoimento à polícia, o motorista do carro onde estava a turista contou que havia deixado Maria Esperanza com o grupo e a guia, na Estrada da Gávea, de onde partiram para um passeio a pé pela favela. O combinado seria buscar o grupo na Auto-estrada Lagoa-Barra, mas, em função da chuva forte, a guia solicitou que o motorista buscasse o grupo dentro da Rocinha.

No caminho, cerca de 50 metros antes do Largo dos Boiadeiros, o motorista, um italiano residente no Brasil, foi parado por um grupo de policiais e teve o carro revistado. Já no Largo, buscou o grupo de turistas e seguiu em direção à saída da favela. Neste curto trajeto, ouviu três tiros, sendo um mais forte e, achando que se tratava de um tiroteio, acelerou para sair da Rocinha. Na chegada à Auto-estrada, foi parado por um outro grupo de PMs, que mandou os passageiros descerem do carro. Foi neste momento que perceberam que Maria Esperanza havia sido baleada.

A agência esclarece que, a respeito do gesto do motorista na delegacia, o profissional agiu sob forte emoção.

A empresa reitera que todo trabalho da agência é conduzido com responsabilidade, visando o bem-estar de seus passageiros. O Grupo Rio Carioca Tour e seus colaboradores estão à disposição da polícia para prestar quaisquer esclarecimentos e espera que o caso seja elucidado o mais brevemente possível. A empresa também está à disposição para apoiar a família da passageira no que for necessário".

O governador Pezão também divulgou nota sobre o caso. Ele lamentou a morte de Maria Esperanza e afirmou que a polícia continuará atuando na comunidade da Rocinha por tempo indeterminado. Confira:

"O governador Luiz Fernando Pezão afirmou, nesta terça-feira, durante a inauguração do centro de pesquisa e inovação da L'oreal, na Ilha de Bom Jesus, que é lamentável a morte da turista espanhola Maria Esperanza Jimenez, ocorrida na Rocinha, ontem, e destacou que os policiais fluminenses devem seguir os procedimentos estabelecidos no manual de abordagem, que determina que, em casos como o que ocorreu naquela comunidade, não devem efetuar disparos, e sim perseguir o veículo".

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