'Motorista foi liberado em blitz da PM', diz amiga de jovem morta

Veículo que passava em outro lado da pista teria começado a disparar contra viatura

Por O Dia

Rio - A Divisão de Homicídios (DH) está investigando as circunstâncias da morte da jovem Rafaella da Silva Dias, 18 anos, atingida por tiros, na madrugada de ontem, na Via Light, em Anchieta. Moradora de Nilópolis, na Baixada Fluminense, ela e uma colega estariam em um carro do aplicativo Uber e seguiam para um baile funk, no Morro do Chapadão, na Pavuna, quando o veículo foi interceptado em uma suposta blitz da Polícia Militar.

Rafaella tinha 18 anosReprodução Facebook

"O motorista encostou o carro e como os documentos estavam em dia, ele foi liberado pelos policiais", relatou a colega de Rafaella, que não teve a identificação divulgada. Entretanto, um veículo não identificado, que passava pelo outro lado da pista, teria começado a disparar contra a viatura policial. Os policiais revidaram e travaram intenso tiroteio contra os bandidos.

Assustado, o motorista do Uber arrancou com o carro, mas, segundo a colega, Rafaella não embarcou e foi deixada para trás. A testemunha disse que ainda avisou ao motorista, mas ele ficou com medo de retornar. Quando chegou no bairro onde mora, a menina procurou a família de Rafaella e narrou o ocorrido.

Parentes pediram que ela mostrasse o local do tiroteio. Chegando lá, foi o pai da jovem quem encontrou o corpo jogado em um matagal.

Procurada pelo DIA, a PM informou que a corregedoria da corporação vai apurar a participação dos policiais na ocorrência. A suspeita é de que a suposta blitz não foi autorizada pelo comando do Batalhão.

A Polícia Civil realizou perícia no local e ouviu o depoimento de quatro testemunhas. Os policiais estão à procura de imagens de câmeras de segurança instaladas na região para tentar identificar a autoria do crime. Os agentes da DH querem saber se algum dos criminosos que teriam trocado tiros com os policiais aparecem nas imagens.

A reportagem também procurou o Uber que "lamentou profundamente o episódio de violência urbana que culminou na morte de Rafaela." A empresa também informou que colaborará com as autoridades para ajudar nas investigações, na forma da lei."

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