Perigo constante na Ilha do Fundão

Quadrilha transfere carga roubada de veículo e liberta três reféns causando pânico na UFRJ

Por O Dia

Rio - Uma das universidades de maior renome do país, a UFRJ, na Ilha do Fundão, voltou a ser alvo da falta de segurança ontem, por volta das 15h. Bandidos encapuzados e armados com fuzis usaram a Cidade Universitária para descarregar um caminhão de produtos eletrônicos roubado pouco antes na descida da Ponte Velha do Galeão. Estudantes e funcionários que estavam no Centro de Ciências da Saúde (CCS) e arredores assistiram a tudo. Houve pânico, correria, pessoas passaram mal e o prédio foi esvaziado. Ao mesmo tempo, um carro foi roubado no estacionamento.

A ação dos bandidos ocorreu em frente ao Bloco N do Centro de Ciências da SaúdeLuiz Ackermann / Agência O Dia

Segundo a PM, após renderem o motorista e veículos que faziam escolta, os criminosos entraram pela via perto do Terminal Aroldo Melodia, do BRT, e seguiram para a Cidade Universitária. Dentro do campus, nos fundos do bloco N do CCS, os bandidos transferiram a carga para uma van, liberaram as três vítimas e fugiram levando também o caminhão, que pertence à empresa FedEx. Não houve tiros ou feridos.

Alunos de um projeto de reciclagem do CCS, anexo ao prédio, contaram que entre cinco e sete criminosos participaram da ação. "Começou uma gritaria, porque o pessoal no prédio se assustou e correu para dentro. Os bandidos transferiram a carga para a van e foram embora. Isso demorou de 10 a 15 minutos", contou Mariana de Matos Silva, 23 anos, aluna de Engenharia Ambiental. "O bloco foi evacuado por segurança. Os bandidos deixaram os caras (vítimas) aqui desesperados", disse o estudante de Pós-Graduação Marcelo Cortes Silva, 30 anos.

O estudante de Farmácia Eduardo Araújo, 21 anos, que estava em aula, relatou que os alunos fugiram por dentro do prédio e se refugiaram na área da Educação Física por uma hora. "Minha amiga quase desmaiou, foi muito tenso", lembrou. Funcionários de um laboratório foram orientados a não sair. Uma mulher percebeu que seu carro também tinha sido roubado no estacionamento. Não foi confirmado se os casos têm relação. Policiais militares fizeram buscas no campus e o caso é investigado pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC).

A Prefeitura da UFRJ, responsável pelo trânsito no interior do campus, informou que já estuda novas formas para controle de entrada e saída de veículos da Ilha do Fundão. "A ação contribuirá para evitar a ocorrência de crimes na Cidade Universitária", afirmou em nota.

O crime aconteceu pouco mais de um mês depois que funcionários do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho fizeram manifestação em frente à unidade contra o aumento da violência na Ilha do Fundão. Os alunos que presenciaram o episódio do roubo de carga ontem ressaltaram a falta de segurança e reclamaram de assaltos a estudantes e funcionários no campus.

PMs procuram suspeitos de roubar caminhão de carga próximo ao campus da UFRJReprodução Internet

"Muitas pessoas são assaltadas aqui à noite, porque não tem policiamento e iluminação no campus. A gente não tem paz para voltar para casa", disse Eduardo Araújo. "O campus está sem segurança nenhuma e a gente fica à mercê, principalmente quem tem aula à noite e precisa pegar condução", afirmou Mariana Silva.

Segurança morto, médico e alunas, sequestradas

Na quinta-feira, um segurança foi morto a tiros em uma tentativa de assalto no campus. O suspeito, Yuri dos Santos Pereira, foi preso em flagrante. Na manhã de 19 de setembro, bandidos roubaram dois carros no estacionamento do Hospital do Fundão e fizeram os motoristas reféns.

Um deles teve outros pertences roubados e um vigilante também foi rendido. Em julho, um médico da UFRJ foi rendido por cinco homens armados durante um sequestro relâmpago quando saía da Ilha do Fundão e foi obrigado a fazer saques em vários caixas eletrônicos. Ele teve dinheiro, documentos e carro roubados. Em março, quatro alunas foram sequestradas nas proximidades do Fundão e foram obrigadas a fazer saques e compras.

Colaboraram a repórter Karilayn Areias e a estagiária Luana Benedito

Últimas de Rio De Janeiro