Manifestantes fazem ato na Alerj para pedir prisão preventiva de deputados

Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo foram detidos nesta quinta. Pedido de manutenção da prisão será votado entre parlamentares na Casa

Por O Dia

Rio - Manifestantes fizeram um ato na porta da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na tarde desta sexta-feira, enquanto deputados discutiram e votaram sobre a manutenção da prisão preventiva do presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), e dos outros dois parlamentares do mesmo partido, Edson Albertassi e Paulo Melo. Eles estenderam duas faixas em frente ao prédio. Em uma delas, há a frase: 'Partidos políticos são facções criminosas'. A votação terminou por volta das 16h50, com o fim da manutenção da prisão dos peemedebistas. Votaram a favor 39 deputados, 19 foram contra e houve uma abstenção.

Manifestantes fazem ato pedindo prisão de peemedebistas em frente à AlerjDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Reunião no CCJ e confusão em manifestação

Por volta das 13h, os deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj começaram a discutir o assunto. A reunião incluiu sete deputados: Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB), Rafael Picciani (PMDB), Milton Rangel (DEM), Carlos Minc (sem partido), Gustavo Tutuca (PMDB), Rosenverg Reis (PMDB) e o presidente da comissão, Chiquinho da Mangueira (Podemos). No entanto, outros parlamentares que não fazem parte da comissão também assistiram à sessão. 

Manifestantes pedem prisão de deputados peemedebistas em frente à AlerjDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Por causa do protesto, a Rua Primeiro de Março, na altura da Alerj, precisou ser interditada. De acordo com o Centro de Operações, o trânsito foi desviado para a Rua Almirante Barroso. Os motoristas enfrentaram congestionamento na Avenida Presidente Antônio Carlos, a partir da Avenida Beira-Mar. O COR pediu que as pessoas evitassem a região.

Ás 16h, PMs do Batalhão de Choque (BPChq) começaram a atirar bombas de gás e efeito moral contra os manifestantes. A confusão começou por volta das 15h40, quando uma liminar da Justiça liberou a entrada dos manifestantes nas galerias da Alerj para acompanharem a votação. Uma oficial de justiça não conseguiu entrar na Casa para entregar a decisão e os ativistas tentaram forçar as grades de proteção. Neste momento, a polícia começou a lançar as bombas e balas de borracha contra os presentes. Um jovem de 20 anos ficou ferido na cabeça.

PMs atiraram bombas de gás e balas de borracha contra manifestantesDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Fernando Veiga Neves estava próximo às grades que separam os manifestantes do acesso à Alerj e foi atingido tão logo a Polícia Militar passou a fazer uso das bombas de gás. O estudante foi atendido por enfermeiros da Cruz Vermelha na esquina da Rua do Carmo com a Sete de Setembro. Ele sangrava e foi orientado pelos enfermeiros a procurar um hospital para ser examinado. Agentes da CET-Rio estiveram nos pontos de bloqueio e orientaram os motoristas. 

Às 18h, o COR informou que a Rua Primeiro de Março, no Centro, foi totalmente liberadas. Também foram interditadas, na tarde de hoje, as vias: Av. Pres. Antônio Carlos; R. da Assembleia; Av. Rio Branco; pista lateral da Av. Pres Vargas, a partir da Av. Passos, sentido Candelária; e Rua da Carioca.

Manifestantes fazem protesto na porta da AlerjDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Cardápio na cadeia inclui feijão e carnes

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou, nesta sexta-feira, Picciani, Albertassi e Paulo Melo não estão dividindo a mesma cela na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica.

Segundo o órgão, o cardápio do almoço dos parlamentares inclui arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne branca ou vermelha, legumes, salada, sobremesa e refresco. Já o desjejum é composto por pão com manteiga e café com leite. O lanche inclui guaraná e pão com manteiga ou bolo.

Investigados na operação Cadeia Velha, que apura favorecimento a empresas de ônibus por parlamentares fluminenses, os três foram para a mesma unidade prisional onde estão outros presos da Lava-Jato, entre eles Sérgio Cabral, que completa um ano de cadeia hoje. Segundo as investigações da Polícia Federal, os três teriam recebido, em sete anos, R$ 135 milhões em propinas de empresários do setor, sendo parte paga a pedido de Cabral.

Comissão discute sobre manutenção da prisão de deputados do PMDBDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

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