Colônia de pescadores da Guanabara sobrevive mesmo com a desordem nas águas

Grupo que resiste bravamente pelas águas das ilhas do Governador e Paquetá

Por O Dia

Rio - Em 1932, nascia a primeira colônia de pescadores da Baía de Guanabara. As histórias, preservadas até hoje, deram forma a um grupo que resiste bravamente pelas águas das ilhas do Governador e Paquetá. Com rede, tarrafa ou linha de mão, de barco a remo ou a motor, os 50 pescadores da Colônia Z-10 Almirante Pereira Gomes Pereira, saem todos os dias em busca de peixes e crustáceos.

Primeira colônia de pescadores da Guanabara sobrevive mesmo com a redução de profissionais e desordem nas águasLuiz Ackermann / Agência O Dia

Na época de maré boa, como acontece sempre no fim do ano, a pescaria rende diariamente cerca de 50 quilos de peixe e 250 quilos de camarão. Esse saldo, no entanto, é ínfimo se comparado a anos atrás, quando a colônia tinha o triplo de profissionais e um ambiente mais favorável nas águas.

Colônia Z-10Agência O Dia

Que a poluição atrapalha o trabalho dos pescadores artesanais, isso não é novidade. Com o lixo e a oxigenação cada vez mais precária das águas, os peixes tendem a se afastar dos locais de exploração da pesca. Mas nos últimos anos, a dificuldade do trabalho ganhou mais um capítulo: a invasão de embarcações e pescadores ilegais.

"Estão levando nossa esperança daqui. Nossos pescadores são artesanais e não conseguem competir com barcos e artigos modernos de pesca", lamentou o presidente da colônia Z-10, Wilson Rodrigues, de 55 anos. Há dois anos ele assumiu a direção da unidade e, mesmo com as adversidades, tenta tocar os projetos. A reativação da escola de pesca é um deles. "Busco iniciativa privada para poder reformar o espaço, que já formou diversos pescadores em confecção de rede e conhecimento de embarcações e marés", completou Wilson.

A colônia afirma que já fez diversas denúncias ao Ibama para fiscalização em sua área de atuação, nas ilhas do Governador e Paquetá. Em nota, o órgão alega que não teve registros recentes de denúncias no local e reforça que os pedidos devem ser feitos pela Ouvidoria (3077-4291) ou pela Linha Verde (0800-618080). O Ibama esclarece ainda que, neste ano, foram emitidos 159 autos de infração em todo litoral do estado, o que somam R$ 65 milhões às embarcações irregulares. O Inea não se pronunciou sobre o caso até o fechamento desta edição. Atualmente, 2 mil famílias vivem diretamente da pesca na Guanabara. Em toda extensão da Baía, as 15 comunidades pesqueiras sendo 10 associações produzem, em média, 6 mil toneladas anuais, o que representa 30% de toda pesca no estado do Rio.

Wilson Rodrigues comanda a Z-10 há dois anos e luta para continuar com os projetos da colôniaLuiz Ackermann / Agência O Dia

Diversidade e fartura no fundo do mar

Se tem uma coisa que sobre na Colônia Z-10 é caranguejo. Nessa época de novembro, com as chuvas, eles ficam à beira-mar para, em dezembro e janeiro, começarem as andanças. Por dia, são capturados cerca de 240 caranguejos da espécie Uça, os chamados 'verdadeiros'. Além da venda, os pescadores também coletam o animal para alimentação. "A colônia cheira a caranguejo cozinho", destacou Wilson Rodrigues.

Da safra de peixes, a corvina é o mais comum na região. Outras espécies são tainha, robalo, piraúna, xerelete, espada e anchova. "Tem alguns peixes, que já deram muito em outras épocas, mas agora sumiram daqui, como o badejo e garoupa", explicou o pesquisador da Z-10, Wilson de Paula Pereira Filho, de 33 anos. Segundo ele, a presença frequente de grandes embarcações tem afastado os animais. "Elas (embarcações) também ocupam muito espaço e não deixam o pescador artesanal explorar a região mais de dentro da Baía".

Quando o assunto é siri e camarão, a Z-10 também é mestre no assunto. Por ali, é comum o siri-açu e siri-candeia, que são pescados com auxílio do puça, uma espécie de peneira. O camarão é coletado por arrastão e a época de maior incidência dele é em outubro e novembro. "A Baía ainda produz muita coisa boa", contou Filho.

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