Ministério Público investiga mordomias de Sérgio Cabral na cadeia

Foco é um possível envolvimento de servidores em privilégios do ex-governador

Por O Dia

Rio - O reinado de mordomias do ex-governador Sérgio Cabral nas cadeias, comandadas pela Secretaria de Administração de Administração Penitenciária (Seap), está ancorado em crimes como prevaricação, corrupção passiva e ativa, e atos de improbidade administrativa. Um arsenal de inquéritos criminais e civis estão sob a batuta do Ministério Público Estadual. O órgão termina de analisar até sexta-feira mais de dez mil horas de imagens de 16 câmeras que flagram privilégios de Cabral quando estava na cadeia pública Petrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), no Complexo de Gericinó.

Na última sexta-feira%2C o Ministério Público apreendeu alimentos que seriam levados para Sérgio CabralReprodução

Hoje fica pronto a avaliação da apreensão feita na semana passada de iguarias como camarões, bolinho de bacalhau, com direito a serviço de entrega de três restaurantes chiques da Zona Sul, roupa de cama impecável (como toalhas brancas), no mais novo endereço do ex-governador: a Cadeia Pública José Frederico Marquês, em Benfica. Se ficar comprovado o envolvimento de servidores, eles podem até perder o cargo.

"Há o afastamento das funções podendo chegar à perda do cargo. No campo criminal, comprovado eventual crime de prevaricação ou corrupção, pena de prisão. Tudo dependerá da investigação", explicou a promotora Andréa Amin, coordenadora do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do MP (Gaesp), que presta auxílio na maior parte das investigações.

RUMO À JUSTIÇA

Os procedimentos também serão encaminhados pelo Ministério Público ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, e ao juiz da Vara de Execuções Penais, Guilherme Schilling Pollo Duarte. Segundo a promotora, Cabral só pode ser punido por privilégios se ficar comprovado que pagou funcionários públicos pelas benesses. O MP também apura a instalação de uma cinemateca, avaliada em R$ 23 mil, no presídio de Benfica.

"Temos três procedimentos sobre privilégios que vamos avaliar se eles serão reunidos na esfera civil. O que não acontecerá na criminal", esclareceu Andréa Amin.

Atualmente, Benfica abriga além de Cabral, o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, o presidente da Alerj, Jorge Picciani, e os deputados Édson Albertassi e Paulo Melo, todos do PMDB. Também estão na unidade, Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, e Rosinha Matheus, mulher de Anthony Garotinho.

Garotinho foi transferido de Benfica para Bangu 8 porque alegou ter sido agredido na unidade. A Seap nega. A operação de sexta-feira era para avaliar as condições de Garotinho em Benfica, mas acabou atingindo Cabral. Sexta-feira, a Seap informou que visitantes podem levar até três bolsas de supermercado contendo alimentos ou produtos de higiene pessoal para os detentos.

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