PM e MP fazem operação para prender traficantes e policiais

Nove policiais e cinco traficantes foram presos, além de oito mandados de prisão cumpridos contra PMs e criminosos que estão na cadeia. Militares recebiam propina do tráfico de drogas, além de vender armas

Por O Dia

Rio - A Polícia Militar e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) realizaram, na manhã desta quinta-feira, uma operação para prender criminosos e PMs acusados de receber propina do tráfico e vender armas para os bandidos. Nove policiais e cinco traficantes foram presos. Também foram cumpridos oito mandados de prisão contra policiais e traficantes que já estavam presos. Dois dos PMs alvos da ação foram detidos na operação Calabar, realizada em junho deste ano.

Ao todo, os policiais buscavam cumprir 39 mandados de prisão, sendo 16 contra militares lotados no 12º BPM (Niterói), no 7º BPM (São Gonçalo), no 35º BPM (Itaboraí) e no Batalhão de Choque. Não há oficiais da PM entre os presos e procurados.

Operação procura policiais e traficantes envolvidos com crime organizadoReprodução TV Globo

Na comunidade da Grota, no bairro de São Francisco, em Niterói, houve confronto entre policiais e traficantes. Um suspeito morreu e outros oito foram presos em flagrante. Onze armas foram apreendidas.

Arrego e revenda de armas

Os policiais são acusados de "arrego", que é receber dinheiro para não reprimir o tráfico de drogas na região. Segundo a denúncia do MP, os PMs vendiam armas que apreendiam em incursões a traficantes. O órgão destacou que eles recebiam informações de informantes, os conhecidos como 'x-9s', sobre atividades ilícitas praticadas por outros traficantes para localizá-los e extorqui-los.

A operação tem ainda o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão em endereços residenciais dos suspeitos e, no caso dos PMs, em seus carros particulares, nas viaturas e armários nos batalhões. De acordo com o MP, os criminosos atuam nas comunidades do Sapê, Badu, Largo da Batalha, Morro da Cocada, Bromélia, Morro do Céu, Barraca Azul, Caju, Ponte Amarela, Mirante, Lajão e Complexo do Caramujo.

A operação surgiu após investigações da Corregedoria da Polícia Militar e de um procedimento de investigação do próprio MP. Um dos chefes da quadrilha, Julio Cesar Silva Cardoso, o 'Nhanhão', determinava a quais policiais seria pago o “arrego”. Já Pedro Paulo Matheus Gremion, o 'Sagaz', que mesmo preso em Bangu 3, continua a ocupar o cargo de chefe do tráfico de drogas nas localidades Carobinha e Santa Luzia, em Niterói.

O MP explicou que os PMs foram acusados de organização criminosa para a prática de tráfico de armas, corrupção passiva, prevaricação, receptação e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Enquanto isso, os traficantes foram denunciados por organização criminosa para prática de tráfico de entorpecentes e de armas, roubos, receptação e corrupção ativa.

Megaoperação contra 96 PMs

Em junho, a Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo realizou a Operação Calabar para cumprir mandados de prisão contra 96 PMs e 70 acusados de envolvimento com tráfico de drogas. Foi a maior operação contra a corrupção na Polícia Militar já realizada na história do Rio.

Os militares eram lotados no 7º BPM (São Gonçalo) entre 2014 e 2016 e são acusados de receber propina, que era chamada por eles de "meta", além de venda de armas para 41 comunidades, entre elas Salgueiro, Santa Luzia, Santa Izabel, Jóquei, Jardim Catarina, Ocupação Coruja e Alto dos Mineiros, todas naquele município.

Na ocasião, a polícia informou que cumpriu 63 mandados de prisão contra PMs, sendo que seis estavam presos por outros crimes. Já contra traficantes foram 22 mandados cumpridos, mas 15 já estavam atrás das grades.

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