MP denuncia 24 integrantes de milícia da Baixada Fluminense, entre eles dois PMs

Um dos líderes da milícia é o policial reformado Manoel Cabral Queiroz Júnior, o “Cabral”, que já foi candidato a vereador. Dois policiais que recebiam propina foram presos nesta quinta, além de cinco milicianos

Por O Dia

Rio - Agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) prenderam, na manhã desta quinta-feira, dois policiais militares do 21º (São João de Meriti) suspeitos de receberem propina para fazer vista grossa para a milícia que atua na cidade da Baixada.  Além destes dois, outros cinco mandados de prisão contra acusados de fazer parte da milícia da região foram cumpridos.  

PM reformado foi preso em açãoDivulgação

Um dos líderes da milícia é o PM reformado Manoel Cabral Queiroz Júnior, conhecido como “Cabral”. Ele, que já foi candidato a vereador em São João de Meriti, também foi procurado na ação de hoje, mas não foi encontrado.  Além dele, outros dois policiais militares, do 15º (Caxias) e 21º BPM (Meriti), Luciano Marques Lima da Silva, Rodrigo Neves de Souza Luciano do Nascimento Mendes, todos do 21º BPM, foram denunciados e têm mandados de prisão em aberto.

O Ministério Público do Rio (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou 24 acusados de integrar a milícia que atua, além de São João, em Duque de Caxias e Belford Roxo. A denúncia do Gaeco foi feita na 1ª Vara Criminal de São João de Meriti. 

Também foi oferecida denúncia na Auditoria Militar do Estado do Rio de Janeiro pela prática de corrupção passiva em face dos dois policiais do 21º BPM presos nesta quinta-feira. Segundo o MP, eles receberam pagamentos semanais para não reprimir as atividades ilegais dos milicianos. As investigações indicam pagamento de propina inclusive em frente ao próprio batalhão da PM.

A denúncia faz parte da segunda etapa da operação “Fake Fireman”, onde foram expedidos mandados de prisão preventiva, que estão sendo cumpridos pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) e pela Corregedoria da Polícia Militar.

Duplo homicídio em Caxias

Dos 26 acusados com mandado de prisão preventiva expedido, quatro estão presos desde a primeira fase da operação, em agosto deste ano. Três deles foram presos em flagrante por porte de armas ou munição. Um dos presos na ocasião foi é apontado como um dos líderes da milícia, Roquelande Rodrigues da Silva Júnior, o “Bombeirinho”.

Ele foi detido em cumprimento a um mandado de prisão preventiva pelo assassinato de dois jovens. O crime, cometido em maio do ano passado, foi o ponto de partida para as investigações contra o grupo de milicianos. Alexandre da Silva Pedrosa, conhecido como Zabumba, participou da execução e está foragido. 

"Três jovens estavam com réplica na mochila. Os milicianos revistaram o trio e acharam o simulacro. Eles foram algemados e expostos nas ruas do Vale das Mangueiras, em Belford Roxo, para a população ver. O "Bombeirinho" pediu apoio ao Zabumba e os dois levaram os três para uma área de mata no bairro Amapá, em Duque de Caxias, onde atiraram contra eles. Um acabou sobrevivendo", disse o delegado Luís Otávio Franco, da DHBF. 

A operação recebeu o nome de “Fake Fireman”, falso bombeiro, em inglês, devido ao apelido do líder da organização criminosa. Outro alvo da operação também já está preso em razão de outros crimes.

De acordo com o MP, a milícia atua extorquindo comerciantes da Baixada Fluminense em troca de suposta segurança, além de praticar roubo de carros. Segundo o Ministério Público, os milicianos agem com grande violência, executando inimigos, e já chegou até a desfilar com suas vítimas algemadas por ruas e praças da Baixada antes de matá-las.  Todos os integrantes da organização criminosa foram denunciados por integrar milícia privada, de acordo com o artigo 288-A do Código Penal. As investigações foram realizadas pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

Entre as cobranças feitas uma acontecia para moradores do condomínio Venda Velha, em São João de Meriti, onde a "segurança" era realizada por uma empresa de Cabral. O síndico do empreendimento está foragido e é suspeito de participar da organização criminosa. Segundo o delegado Luís Otávio, ele que cobrava a "taxa extra" aos inquilinos. Quem não pagava era ameaçado e tinha serviços, como o abastecimento de água, cortados.

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