Piscinas públicas agonizam e população não tem lugar para se refrescar no verão

São Gonçalo enfrentará o verão sem o parque de água salgada. Em Ramos, a praia artificial tem infraestrutura prejudicada e o de Deodoro fecha até 9 de janeiro

Por O Dia

Rio - O sol nasce para todos. Porém, muitos não terão o privilégio de enfrentar o calor escaldante que se avizinha, mergulhando em água fresca e limpinha, perto de casa. O verão chega hoje e as piscinas públicas do Grande Rio estarão fechadas. A exceção é o Piscinão de Ramos, que teve a qualidade da água aprovada pelo Conselho Regional de Química do Rio (CRQ-III), mas cuja estrutura do entorno deixa muito a desejar. Não tem banheiro para os frequentadores e, ontem, por exemplo uma vala negra 'decorava' a areia do Piscinão. "Isso está abandonado", reclamava a ambulante Solange Barbosa, que mantém há cinco anos uma barraca no local.

Mato ocupa olugar da águano Piscinão deSão Gonçalo%2Conde aestrutura foidestruídaSeverino Silva / Agência O Dia

Se no Piscinão de Ramos falta estrutura, no de São Gonçalo falta tudo, principalmente, água. Com o governo do estado em ruínas, o Piscinão de São Gonçalo ficará fechado por mais um verão, já que, segundo a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, não há nem previsão para reativar o local, cujo nome oficial é Parque Ecológico da Praia das Pedrinhas. A gigantesca área de lazer que contava com uma piscina pública de água salgada, e chegava a atrair cerca de cinco mil pessoas nos domingos ensolarados, está abandonada e vem sendo depenada. "Era bom. Tinha TV, as rádios faziam shows, a água tinha tratamento. Agora, virou mato. Saquearam tudo. O vigia já não vem há muito tempo. Não estavam pagando o salário dele. Aqui, na época do verão, dava até para arrumar uma gatinha", recorda e lamenta o ajudante da construção civil, Jorge Luiz Tavares Rangel, 34 anos.

Abandono fica evidente com a imagem das roletas em São GonçaloDivulgação

Mas, a secura não se restringe ao tradicional piscinão. Áreas recém-construídas, como o Piscinão de Deodoro e os outros 15 equipamentos esportivos da prefeitura que têm atividades aquáticas entram em recesso em 22 de dezembro, dia seguinte à chegada oficial do verão, e só retornam a partir do dia 9 de janeiro. De acordo com a subsecretária de Esporte e Lazer, a decisão de suspender o funcionamento foi das Organizações Sociais que administram os legados olímpicos. A justificativa é de que as OSs vão preparar os espaços para as colônias de férias, que vão de 9 a 29 de janeiro e devem atrair centenas de crianças, adolescentes e idosos. O que pode servir de consolo é o fato de que todas as instalações fiscalizadas pelo CRQ-III tiveram a qualidade da água aprovada. O presidente do CRQ-III, Rafael Barreto Almada, disse que o foco principal da fiscalização era conferir se as empresas que tratam das piscinas públicas estão regularmente matriculadas no Conselho. 

Tempo vai fi car instável com chuva

Durante a fiscalização, o CRQ também verificou o estoque de produtos químicos e se o processo de tratamento está dentro dos padrões. Mas, não encontrou profissionais de química registrados. O que não é bom. "Se o operador não for profissional de química pode colocar excesso de cloro na água, o que causa alergia na pele", explicou Rafael Almada.

O tempo deve começar a ficar instável, com chuva, a partir de hoje e fica assim até o início do ano, segundo o meteorologista Diogo Arsego, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE). Depois disso, chega a temporada de mais calor. Se o verão de 2017 foi mais quente e mais seco do que o normal para a estação, com sensação térmica ultrapassando os 48 graus, o de 2018 não deve ser mais ameno. Sem as 'praias suburbanas', aquele que quiser se refrescar, ainda terá a alternativa de embarcar no ônibus e curtir as praias da Zona Sul carioca.

 

 

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