Armamento é bom? Eis a questão

População se preocupa e especialista da UFF diz que medida não é a melhor a ser adotada

Por O Dia

Está para sair de vez o contrato entre a Prefeitura e a Polícia Federal que vai regulamentar o uso de arma de fogo para a Guarda Municipal de Niterói. Segundo a prefeitura, o documento será assinado em março. A previsão é que 200 dos 600 agentes sejam treinados em um primeiro momento, mas a pergunta que não quer calar é: armar é o melhor caminho?

Casos como o ocorrido no último fim de semana no Rio, quando um jornalista foi agredido por um guarda durante um bloco de Carnaval, preocupa a população. O analista de qualidade Leonardo Maciel, por exemplo, é contra a iniciativa. “Acho que quanto mais gente armada na rua, mais risco a gente corre. Mais risco de erros e de abuso de poder”, avalia.

O prefeito Rodrigo Neves diz que a medida foi tomada para suprir um déficit na Segurança Pública. “A Guarda nunca substituirá a Polícia Militar no enfrentamento direto à criminalidade. Um dos maiores problemas e desafios é garantir a presença ostensiva da força pública em pontos de grande circulação para coibir modalidades de crime como furtos e roubos, que serão inibidos com maior força ostensiva nas ruas”, afirma.

Guarda Municipal de Niterói pode usar arma de fogoMaíra Coelho / Agência O Dia


Os agentes serão capacitados para o uso de pistolas 380 e revólveres calibre 38 e o treinamento será na nova Cidade da Ordem Pública, prevista para ser inaugurada em junho.

A Polícia Militar vê com bons olhos o armamento da Guarda. Comandante do 12º BPM, Fernando Salema acredita que pode haver até uma otimização do trabalho de seus 850 policiais da ativa. “A Guarda de Niterói é bem preparada e terá bons gestores à frente de todo treinamento. Como não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo, esse reforço pode desafogar o serviço da PM”, opina.

Já para a chefe do departamento de Segurança Pública da UFF, Vivian Paes, a medida não é solução. “Mostra que não se busca uma alternativa ao modelo policial, que tem diversos problemas. E os guardas querem o armamento para impor respeito, mas isso não é justificativa do ponto de vista da Segurança”, destaca.

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