É a vez da África

Pela primeira vez na cidade, ‘Encontros com África’ traz à tona debates sobre questões sociais e culturais

Por O Dia

O atual cenário do continente africano, com países em constante guerra civil, assusta o mundo. E não adianta achar que o ‘problema’ não é nosso. Assim como acontece na Europa, é cada vez maior o número de refugiados chegando por aqui. De acordo com a Presidente da Associação Senegalesa do Rio, Amina Ngon, já são cerca de 200 senegaleses em Niterói.

Foi exatamente para ambientar estes imigrantes e reforçar a importância da cultura africana em nossa identidade nacional que, até o dia 17, acontece o evento Encontros com África. O Teatro Municipal recebe diversas atrações vindas da África e de grupos niteroienses que representam a cultura afro por aqui. E é tudo de graça! 

“Moro em Niterói há seis anos e quando temos esse tipo de evento na cidade ganhamos um fôlego para as vendas”, explica Amina, que vende tecidos, roupas e acessórios vindos do Senegal.

Artistas angolanos, beninenses, sul-africanos e, claro,brasileiros farão apresentações de música, dança e teatro, além de debates sobre questões sociais e culturais.

Os trabalhos foram abertos na última quinta-feira com o grupo niteroiense Jongo Folha de Amendoeira.

A Cia de Dança Angolana já se apresentouAlexandro Auler


Também rolou a apresentação da aguardada Companhia de Dança Contemporânea de Angola e o lançamento do site ‘Malungo eu’, que reúne informações atualizadas sobre artes africanas e pretende facilitar intercâmbios virtuais entre artistas e públicos dos dois lados do Atlântico.

Hoje tem o espetáculo Vida de Vassoureiro, com Elias Rosa, às 19h, e o show de John Arcadius, às 20h. Na quarta-feira, a companhia Muanza Mesú vai se apresentar às 18h30. Logo depois vai rolar o Fórum Cultura Angolana. 

Na quinta, às 19h, tem a pela ‘Laços de Sangue’, na sexta, às 19h, show de Ndaka Yo Wiñ e, no sábado, apresentação do cantor Gabriel Tchiema. Os encontros encerram no Teatro Popular, no próximo domingo, às 17h, com os DJs sul-africanos Kenzero e Tha Muzik e show do rapper Emicida. 

Coordenador geral dos encontros, Marcos Gomes conta que o evento estava previsto para a agenda de 2015, mas não foi possível por conta do surto de Ebola que tomou conta do continente africano e por inviabilidades financeiras. “Agora vamos realizar esses encontros semestralmente por aqui e tentar levar nossa cultura até os africanos também. Afinal é um intercâmbio”, revela.

A senegalesa Amina Ngon está em Niterói há seis anosAlexandro Auler


Para Gomes, neste momento de intolerâncias raciais, religiosas e culturais, promover a aproximação com um continente tão presente na nossa história se torna fundamental. “Agradecemos a todos os que estão vindo, generosamente, apresentar sua arte em nossa cidade”, diz.


8,4 mil estrangeiros vivem no Brasil

Nos últimos 15 anos, o número de migrantes internacionais cresceu muito rápido segundo as Nações Unidas. Foram 244 milhões de pessoas nessa condição em 2015. Em 2010 eram 222 milhões. E lá em 2000, eram cerca de 173 milhões.

De acordo com os dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), o Brasil abriga atualmente cerca de 8,4 mil estrangeiros reconhecidos como refugiados, duas vezes mais que os registros de 2011.
Hoje, cerca de 12 mil pedidos de refúgio aguardam uma decisão do governo federal. No mundo, há mais de 60 milhões de refugiados e pessoas deslocadas internamente no mundo segundo o Conare.

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