Comércio está em crise, mas expectativa é de melhora

Economista acredita que cenário favorece aqueles que buscam se aprimorar no setor

Por O Dia

Rio - O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) da Fundação Getulio Vargas recuou 0,5 ponto em abril de 2016, atingindo 66,6 pontos. É o terceiro menor valor da série iniciada em março de 2010. O dado contrasta com o Índice de Expectativas (IE-COM), que subiu 1,5 ponto em abril, atingindo 74,8 pontos. A alta foi influenciada pelo indicador que mede o grau de otimismo com a evolução da situação dos negócios no horizonte de seis meses, que avançou 2,9 pontos em relação a março, chegando a 76,4 pontos.

O economista Marcio Lago Couto, um dos palestrantes do Mapa Estratégico do Comércio, acredita que o cenário favorece aqueles que buscam se aprimorar. “Há uma expectativa de melhora. Se o consumidor acha que a situação vai melhorar, gasta mais. A crise é sempre uma oportunidade para melhorar a qualidade de serviço”, explica. Ele faz um alerta aos comerciantes sobre a importância dessa busca por qualificação: “Se o comércio local não abastecer a indústria, a indústria acaba importando de fora”.

Três Rios recebe Mapa do Comércio

Se receber um limão, faça uma limonada. A expressão se aplica perfeitamente à situação do desenvolvimento econômico de Três Rios, cidade do Centro-Sul fluminense que sedia a terceira etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio. Um dos cinco municípios do estado que não recebe os royalties do petróleo, Três Rios se tornou um pólo industrial da região, atraindo 170 indústrias nos últimos sete anos.

Debate reuniu ontem pessoas de Três Rio e outras cidades%2C como Miguel Pereira e Angra dos Reis. Discussão sobre crescimento continua hojeDivulgação

Cortada pela BR-040 e BR-393, a cidade possui posição geográfica privilegiada. E aproveitou esses trunfos para atrair empresas de médio e grande porte com incentivos fiscais. No evento organizado pelo Sistema Fecomércio RJ, que começou ontem e termina hoje, empresários participam de palestras e discutem melhorias no setor em tempos de crise. Com a nova identidade de pólo industrial, os comerciantes discutem a importância da qualificação dos serviços e da mão de obra, para que não seja necessário contratar funcionários de outras cidades em novos empreendimentos.

A chegada de três novos empreendimentos e duas redes hoteleiras neste ano reforça a necessidade de qualificação. “São desafios que precisamos enfrentar para assumir papel de relevância e de fortalecimento dessa vocação no estado”, argumenta o empresário Julio Cezar Rezende, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Três Rios (Sicomércio).

Júlio Cezar falou dos desafios para o fortalecimento da economiaDivulgação

Segundo o Mapa, cerca de 40% dos empregos do comércio, bens e serviços do Centro-Sul se concentram no município. Irineu Frare, coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), parceira da Fecomércio na elaboração do Mapa, reforça a necessidade de qualificação de serviços, como bons restaurantes, e mão de obra qualificada para atender a demanda do crescimento industrial dos últimos anos. “Uma cidade desse porte nem sempre está preparada para isso. Com as novas redes de hotéis, também é importante ter uma mão de obra capacitada para que não seja necessário trazer profissionais de outras cidades”, alerta.

Atrair empresas de fora não era só discurso. Rodolfo Teichner, diretor de uma empresa que produz cápsulas de café instalada em Seropédica, na Baixada Fluminense, esteve no evento para verificar a possibilidade de se distanciar da capital. “Estou estudando a possibilidade de vir para cá e sair dos tentáculos da cidade grande, onde não existe mobilidade ou segurança”, argumenta.

Um sentimento que parece já ter sido captado por grandes empresas instaladas em Três Rios. 

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