Mudança de sotaque e busca por novas opções

Chegada de novos hotéis irá atender demanda de ‘forasteiros’ em Três Rios

Por gabriela.mattos

Rio - Começo da tarde de sexta-feira. A praça de alimentação do segundo piso do shopping de Três Rios, inaugurada há apenas um ano, está lotada de pessoas que trabalham na cidade. No burburinho das conversas paralelas em meio à refeição, um sotaque paulista contrasta com o jeito de falar dos moradores da região. Um cenário que ilustra a nova fotografia da cidade, que se tornou um pólo industrial do Centro-Sul fluminense nos últimos anos.

Natural de São Caetano do Sul, no ABC paulista, o empresário Marcio Mazulis foi atraído pelos benefícios fiscais oferecidos pela cidade para abrir uma empresa no setor da construção civil, há apenas oito meses. A cada 15 dias, ele visita Três Rios para supervisionar de perto os negócios. “O benefício fiscal e a logística são pontos que estão atraindo empresários de outras regiões”, explica Mazulis.

Os empresários Fernando (à esquerda) e Marcio foram atraídos pelos benefícios fiscais em Três RiosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Ele almoça com outros dois profissionais que vieram de outros estados para trabalhar na Açotel, uma das grandes indústrias da cidade, que fabrica aço e ferro. Mas eles moram em Juiz de Fora, Minas Gerais, a 64 quilômetros dali, que abriga outra unidade da empresa. “Juiz de Fora tem mais estrutura para morar”, explica o paulista Fernando Lima, diretor comercial da empresa.

O diretor industrial Fenato Gomes, que veio do Espírito Santo para trabalhar na região, costuma receber fornecedores de todo o país. “A rede hoteleira ainda precisa melhorar”, recomenda.

Essa também é uma preocupação das autoridades locais e esteve entre as discussões propostas na terceira etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio, evento organizado pelo Sistema Fecomércio RJ no município nos últimos dois dias. A previsão é da criação de 250 novos leitos, com a chegada de redes hoteleiras do Ibis e Intercity no segundo semestre.

O evento terminou ontem, com a apresentação de 104 propostas de melhorias no ambiente de negócios feitas por empresários da região. Aliás, a participação dos comerciantes chamou a atenção dos pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que participam da elaboração do Mapa.

Ao todo, 70 pessoas responderam ao questionário sobre desburocratização do comércio, serviços e turismo. Até então, a FGV tinha recolhido 50 respostas nos eventos de Angra dos Reis e Miguel Pereira. “Nós tornamos o questionário mais objetivo e isso contribuiu. Mas o envolvimento dos comerciantes locais está crescendo. A participação é dos próprios empreendedores. Isso indica que, apesar da crise, eles estão buscando conhecimento”, afirmou Pedro Paulo Gangemi, coordenador de projetos da fundação.

Propostas apresentadas por comerciantes no Mapa

Após dois dias de palestras e reuniões, os comerciantes apresentaram 104 propostas ao Mapa. Os empresários pretendem ampliar os benefícios fiscais para o turismo. Também querem incentivar o consumo com concessão de descontos em impostos locais, obtidos pela apresentação de notas fiscais.

Ainda pretendem estimular a implementação de Planos Diretores com zoneamento comercial, criar eventos culturais, ampliar a cobertura de creches e promover estudo de melhoria do trânsito.

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