Volta Redonda aposta no estímulo ao empreendedorismo para aliviar crise

Para superar desemprego, demitidos buscam abrir novos comércios e fortalecem o setor

Por O Dia

Rio - Sede da quarta etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio, que começou na manhã desta sexta-feira, Volta Redonda aposta no crescimento do setor e no estímulo ao empreendedorismo como alternativa para aliviar a crise. As palestras do evento organizado pelo Sistema Fecomércio RJ, que reúne empresários no Hotel Bela Vista, seguem nesta sexta-feira de manhã e à tarde.

Quarta cidade do Estado do Rio de Janeiro no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados do IBGE, Volta Redonda sofre com os efeitos de uma onda de demissões na siderurgia. O setor, que representa a metade do orçamento de R$ 800 milhões do ano passado, foi responsável por mais de mil demissões nos últimos 12 meses, segundo a prefeitura.

Empresário Jerônimo dos Santos%2C presidente do Sicomércio da cidade%2C acredita na ampliação do setorDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Nesse cenário, empresários locais apostam as fichas no aumento de novos empreendimentos. Tendência já observada pela Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, que mostra crescimento de 3% de trabalhadores por conta própria.“As pessoas estão montando os seus próprios. São novas lojas, restaurantes, salões de beleza. Isso está contribuindo para o crescimento do comércio”, argumenta o empresário Jerônimo dos Santos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio) de Volta Redonda.

Em meio a esse cenário de novos empreendimentos, comerciantes discutem alternativas para estimular as vendas. Como a feira de negócios, prevista para outubro. A expectativa é atrair mais de 100 mil pessoas para a cidade. E de uma arrecadação de R$ 15 milhões.

“Serão mais de 1,2 mil empresas com vendas de ponta de estoque. Mas também teremos vendas de outros segmentos, como gastronomia, artesanato e até venda de veículos”, explica o empresário Joselito Magalhães, um dos idealizadores do evento, que deve ter a sua segunda edição só neste ano. A primeira ocorreu em março e teve um público semelhante ao esperado em outubro.

"Quero abrir o meu negócio"

Perder o emprego mudou os horizontes na vida de Grasieli de Oliveira dos Santos. Há cinco meses, ela trabalhava como auxiliar de escritório em uma empresa de manutenção de computadores que foi afetada pela crise e obrigada a reduzir o quadro de funcionários. Mas a inesperada demissão não fez com que ela se deixasse abater pela adversidade. Pelo contrário.

Aos 20 anos, ela busca especialização para abrir o próprio negócio. Ontem de manhã, Grasieli era uma das alunas do curso de design de sobrancelha, promovido pelo Senac RJ, em evento paralelo ao Mapa do Comércio, evento feito em parceria entre o Sistema Fecomércio RJ e a Fundação Getúlio Vargas. “A minha ideia, agora, é montar o meu próprio negócio. Quero abrir um salão de beleza. Estou aqui para adquirir conhecimento”.

Essa também é a ideia de Quedima Lima Cordeiro, que trabalhava no comércio e deixou o emprego há um ano, para se casar. Aluna do curso de fotografia do Senac RJ, ela sonha com a chance de se tornar microempreedora para tirar fotos de casamentos. “As pessoas estão buscando outras alternativas para trabalhar. Já cheguei até a bater de porta em porta para vender perfume. Mas o que eu quero mesmo é me tornar fotógrafa profissional e abrir a minha empresa”, sorri.

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