Mercadão de Volta Redonda ajuda no crescimento do comércio

Aberto das 8h às 19h, local reúne mais de 90 lojas e conta com dois seguranças, auxiliares de limpeza e até mesmo contador

Por O Dia

Mercadão de Volta Redonda ajuda no crescimento do comércioDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Rio - Eles viviam na informalidade. “Olha o rapa!”. O grito era senha para recolher produtos e fugir de apreensões. Eram camelôs, mas agora tiveram as suas situações regularizadas e ajudam no crescimento do comércio. O mercadão de Volta Redonda fica aberto das 8h às 19h. Com mais de 90 lojas, o local conta com dois seguranças, auxiliares de limpeza e até mesmo um contador.

“Antes, era muito difícil. Tinha sujeira, usuários de drogas e as pessoas aqui viviam correndo da guarda. É o rapa, né? Agora, está tudo legalizado. Tudo certinho”, compara Selma Maria Messias, 53 anos, dona do box 3 junto com o marido, em atividade há mais de uma década.

Ela vende óculos, relógios, carteiras e bolsas. Na quinta-feira à tarde, Selma negociava dois óculos escuros com uma cliente, que conferia o visual em um pequeno espelho em frente ao balcão.

“A qualidade dos produtos melhorou bastante. Tá mais organizado. Dá até pra pagar com cartão agora”, sorri a fisioterapeuta Cristiane Rezende Fernandes, 43 anos, que saiu de lá com os dois pares de óculos numa sacola, comprados por um valor promocional. Cada par de óculos custava R$ 35. Mas Selma fechou negócio por R$ 40.

“Ela ganhou e eu ganhei também. O importante é vender”, diz Selma, ensinando como agir em tempos de crise.

Sede da indústria CSN, Volta Redonda tem cinco grandes áreas comerciais

‘Olha o picolé! Só um real! É o mais barato da cidade!’, grita o vendedor, acomodado em uma cadeira num ponto de ônibus na Avenida Amaral Peixoto. Ali, na principal área comercial de Volta Redonda, pessoas circulam de um lado para o outro, de olho no comércio. Algumas delas, com sacolas embaixo do braço. É sexta-feira, véspera do Dia das Mães. ‘Precisa de empréstimo?’, pergunta uma mulher, estendendo um panfleto enquanto permanece escorada na parede de uma loja. ‘É promoção aqui, ó! Hoje tá tudo em promoção’, grita, microfone em punho, ao atacar quem passa pela calçada para mostrar o que há dentro da loja.

Há, ali, o espírito de uma vocação para o comércio, despercebido pelo rótulo de cidade siderúrgica produtora de aço para quem vê, à distância, a fumaça que sobe da usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e se mistura entre as nuvens. Até quem ganha a vida vendendo produtos vira cliente em meio ao comércio que ferve na Amaral Peixoto. À espera do ônibus, Claudia Manja, 43 anos, leva na sacola uma panela que irá usar para fazer uma torta no Dia das Mães.

Mas ela está acostumada, mesmo, a bater de porta em porta para oferecer as roupas que compra em São Paulo. “Hoje tá agitado o movimento aqui. Passou do dia 15, fica mais devagar”, pondera. Claudia já foi vendedora de loja, frentista de posto de gasolina e teve um comércio próprio ali na Amaral Peixoto. Mas a crise a obrigou a mudar de planos. “Quem sabe um dia eu volto a abrir a minha loja? Agora, o jeito é esperar passar essa crise”.

Com 150 lojas, a Amaral Peixoto é a principal das cinco áreas comerciais da cidade. É o equivalente a 12,5% dos negócios vinculados ao Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio) de Volta Redonda. E maior foco da feira de negócios, evento de ponta de estoque que pretende atrair, em outubro, 120 mil pessoas à cidade, movimentando até R$ 15 milhões.

“É uma forma interessante para estimular o comércio”, elogia o economista Márcio Lago Couto, um dos palestrantes do Mapa do Comércio, evento criado pelo Sistema Fecomércio RJ, que passou por Volta Redonda entre quinta e sexta-feira.

Enquanto as ideias discutidas pelo Mapa não chegam, os vendedores fazem a sua parte ali, oferecendo promoções no grito para quem passa pela calçada da Avenida Amaral Peixoto, o coração do comércio de uma cidade que se acostumou a depender da indústria do aço.

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