'Quem tiver cuidado, vai sobreviver', diz economista da FGV sobre crise no país

Marcelo Neri é um dos palestrantes do Mapa Estratégico do Comércio, que circulará por 15 cidades do estado até agosto

Por O Dia

'Quem tiver cuidado vai sobreviver à crise'%2C diz economista da FGV Marcelo NériDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Rio - O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é um dos palestrantes do Mapa Estratégico do Comércio, que irá circular por 15 cidades do estado até o fim de agosto. Depois de apresentar o painel “Fortalecimento do setor de comércio e serviços: financiamento empresarial”, na quarta etapa regional do evento, na sexta-feira, em Volta Redonda, ele conversou com a reportagem do DIA.

Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ex-ministro -chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Neri aconselha cautela aos empreendedores em meio à crise.

1. Qual é o contexto histórico da situação econômica no país?
— Temos dois períodos históricos. De 2003 a 2014, a gente viveu um período de menos empresas e melhores negócios no Brasil. Em vez de ter duas pessoas vendendo cachorro-quente em cada esquina, tinha apenas uma. Agora, temos mais empresas e piores negócios. De 2014 para cá, tem aumentado o número de empresas. Mas são aquelas pessoas que perderam o emprego e decidiram montar o próprio negócio. Não é um empreendedorismo com expectativa de crescimento. É um empreendedorismo de sobrevivência. A tendência é ter mais empresas disputando um mercado menor, porque as vendas estão caindo.

2. Qual o impacto dessa mudança de cenário em Volta Redonda?
— Volta Redonda é a oitava maior área industrial do estado, com uma grande siderúrgica. E sentiu os efeitos da queda do preço do aço. O retrato do momento atual é interessante, mas preocupante. Principalmente para a indústria. Quem perdeu o emprego tem que se virar. Há um espírito empreendedor aqui.

3. Qual a importância desse diálogo entre economistas e representantes do comércio?
— Nosso trabalho é como um GPS. Quem está dirigindo e conhece o caminho é o empresário, mas nós podemos dar as orientações.

4. No seu painel, o senhor fala sobre financiamento empresarial. O que o senhor diria para os comerciantes interessados em obter empréstimos?
— Cuidado com o crédito é a palavra de alerta, porque potencializa não só as oportunidades. Também potencializa os problemas. Quem tiver cuidado, vai sobreviver e voltar a crescer. É aquela voz do GPS que fala: “Vai devagar! A pista está molhada e tem acidente mais à frente”. O crédito pode ser o óleo na pista. Aumentou muito pós-crise de 2008. A situação é crônica em comparação com outros países. As taxas de inadimplência são muito altas e a situação se tornou perigosa. Se o pequeno não tomar cuidado com o crédito, ele pode quebrar. O financiamento não é para o pequeno.

5. De que forma os empreendedores podem buscar uma melhor qualificação para evitar acidentes no meio do caminho?
— É a parte da educação profissional. A maioria dos cursos profissionalizantes aqui são para empregados. É preciso ter uma visão empreendedora. Fazer negócios no Brasil é complicado. Tem que melhorar o ambiente de negócios e o conhecimento. É importante que haja um investimento em conhecimento.

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