Barra Mansa aposta em criação de novas vias e em rodoviária na Dutra

Objetivo é retirar terminal do local atual para a criação do 'rodoshopping'

Por O Dia

Rio - Com um quilômetro de extensão, a Avenida Joaquim Leite é o coração do comércio de Barra Mansa. No fim da manhã de sexta-feira, centenas de pessoas circulavam por lá em meio a uma sinfonia de anúncios promocionais em caixas de som nos estabelecimentos ou até mesmo em carros em movimento. “É liquidação! Desconto de até 50%!”, anunciava um veículo que circulava devagar. “Ei! Já almoçou?”, reproduzia a voz gravada por um anúncio em um restaurante.

Ao longo da via, há sete estacionamentos rotativos. Do lado esquerdo de um quarteirão inteiro, onze táxis se enfileiravam, à espera de passageiros. Dezenas de pessoas esperavam nos pontos de ônibus em uma área que ficou conhecida como shopping a céu aberto. Em meio a lojas, restaurantes, supermercados e farmácias que fazem parte dos cerca de 3,5 mil estabelecimentos comerciais do município, ainda havia uma rodoviária no meio do caminho, alvo de discussões entre empresários, que pretendem retirá-la dali para dar mais espaço ao comércio, para a criação do ‘rodoshopping’, num terreno na Rodovia Presidente Dutra, na entrada da cidade.

Projeto federal prevê a retirada do pátio de manobras do trem para a construção de viadutos e avenidas%2C mudando a cara da cidadeHerculano Barreto Filho / Agência O Dia

Mas há uma medida determinante para o crescimento, com um projeto federal que prevê a retirada do pátio de manobras do trem para a criação de viadutos, novas avenidas e uma mudança na fotografia da cidade. Comerciantes falaram sobre o assunto durante a nona etapa do Mapa Estratégico do Comércio, do Sistema Fecomércio, entre quinta e sexta-feira. O Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio) de Barra Mansa aposta que a medida traria um acréscimo anual de R$ 500 milhões ao setor. Mas não é tão simples assim fazer com que o projeto saia do papel. Para isso, é preciso indenizar 40 famílias que moram ao lado da linha do trem, em processos em andamento em varas federais.

Enquanto isso, a trilha sonora dos vizinhos do trem é o barulho das composições que passam a cada 20 minutos, atrapalhando o sono durante a madrugada. E a esperança é sair de lá, para morar longe do perigo.
Dona Laudeliz Bento, de 74 anos, é uma das moradoras mais antigas. Ela se mudou para lá com a família quando ainda era criança. E perdeu as contas das vezes em que viu pessoas sendo atropeladas pelo trem ao cruzar os trilhos. “A travessia é muito perigosa”, diz.

A professora Tatiana Rodrigues Costa mora ali com o marido há dez anos. E não cansa de alertar a filha de 4 anos. “Ela tem medo só de ouvir o barulho. Tem uns trens que passam aqui e nem buzinam. Há um ano, teve um rapaz que foi atropelado e morreu aqui na frente. Só queremos receber a indenização para sair daqui.”

Local aberto a visitações tem problemas para o abate

Uma estrada de chão leva até a Fazenda Bonsucesso, onde funciona o projeto Arurá, monitorado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Uma placa alerta: “Perigo! Jacarés!” Ali, fica o único criadouro do estado, com mais de mil jacarés do papo-amarelo num espaço aberto para visitações de escolas e faculdades.

Marcos Campos, responsável pelo projeto, leva visitantes a um museu com três esqueletos e animais empalhados simulando acasalamento e briga. Há também cascas do ovo e uma janela de vidro onde estão alguns jacarés. Marcos dá informações sobre uma espécie que vive 50 anos em cativeiro, tem mordida de até uma tonelada, pode atingir 3,50 metros e pesar 250 Kg.

É apenas o começo da visita, que passa por 48 tanques de reprodução e outros 14, onde ficam centenas de animais mais novos. Mas a manutenção do projeto também passa pelo abate para venda de couro, carne e do próprio animal vivo, para outros projetos aprovados pelo Ibama. Iniciativas que enfrentam problemas burocráticos, devido à interferência do Ministério da Agricultura. “Não é um mau negócio, porque a carne é de fácil comercialização. O problema são os entraves burocráticos e novas exigências na lei de abate, que travam o negócio. Isso leva mais de um ano”, queixa-se Nina Collard, proprietária do projeto.

A reclamação se encaixa no estudo feito pela FGV Projetos no Mapa do Comércio sobre burocracia envolvendo órgãos federais. Com base em 350 questionários nas nove etapas do evento, os comerciantes apontaram entidades ligadas ao governo federal como as mais burocráticas, com 86% das respostas indicando dificuldades relacionadas com o tema.

Tocha olímpica e Jorge Aragão

O Mapa Estratégico do Comércio não é o único evento que está movimentando Barra Mansa neste mês. Em 28 de julho, a cidade irá receber a tocha olímpica, com atrações para o público. No dia seguinte, o cantor Jorge Aragão irá se apresentar para cerca de 6,5 mil pessoas, em espetáculo que integrará o Festival do Vale do Café.

“São atrações que ajudam a fomentar o comércio, porque vão fazer com que as pessoas saiam de casa”, argumenta Michelle Vieira, gerente da Fundação de Cultura de Barra Mansa.
Paralelo ao Mapa, a cidade sedia a 18ª edição da Feira de Negócios do Sul Fluminense (Flumisul), também patrocinada pelo Sistema Fecomércio-RJ, que começou na quarta e termina hoje, recebendo cerca de três mil pessoas por dia.

Oportunidade para a comerciante Caroline Abreu vender roupas de ponta de estoque por preços promocionais. Mas ela também busca alternativas para vender, como divulgar promoções em redes sociais, como Instagram e Facebook. “Hoje em dia, é uma alternativa para trazer mais clientes”, argumenta.

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