Incluídos no Vale do Café, alambiques vendem mais cachaça para o exterior

Nos últimos 12 meses, a exportação da bebida representou 64% da produção da cachaçaria Magnífica

Por O Dia

Rio - Em vez da farta produção dos tempos do Ciclo do Café, no século 19, as fazendas históricas da região agora têm outra identidade. Incluídos pela primeira vez no roteiro do Festival do Vale do Café, os alambiques já dão uma outra identidade à área. Em conversas informais entre produtores, municípios como Barra Mansa, Vassouras, Valença e Barra do Piraí fazem parte do Vale da Cachaça. Mas eles ainda precisam quebrar a resistência dos próprios brasileiros, já que vendem mais para países do exterior.

Nos últimos 12 meses, a exportação representou 64% da produção da cachaçaria Magnífica, um dos principais alambiques da região, localizada numa fazenda de 450 hectares em Vassouras. Isso equivale a quase cem mil garrafas, vendidas para Inglaterra, Alemanha, França e Itália. No mês passado, representantes da empresa estiveram em Paris e Milão durante uma semana, para apresentar os produtos em bares europeus.

A Magnífica produz atualmente quatro tipos de cachaça%2C com preços que variam de R%24 30 a R%24 300Divulgação

“E a cachaça foi muito bem recebida lá fora. Os estrangeiros estão dando um reconhecimento à cachaça que a gente não está tendo aqui no Brasil. Tem um trabalho a ser feito de divulgação e reconquista do consumidor mais exigente para consumir cachaça de qualidade”, argumenta Raul de Faria, sócio e filho do fundador da cachaçaria, com 30 anos de existência.

Ele acredita que a participação no Festival do Vale do Café é uma oportunidade para começar a mudar esse cenário. Com capacidade de produção de até 500 mil litros por ano, a Magnífica comercializa quatro tipos de cachaça, com preços que variam de R$ 30 a R$ 300. “O evento é uma grande oportunidade de divulgar o processo de produção de cachaça de alambique e uma oportunidade das pessoas degustarem uma cachaça premium”, acredita.

Na Cachaçaria Werneck, sediada em Rio das Flores, o problema é o mesmo. Só no primeiro semestre, a exportação para três países representou a metade das vendas de cachaça no período. A cachaça foi vendida nos Estados Unidos, Honduras e Inglaterra. “O foco nunca foi exportação. Mas as vendas caíram no mercado doméstico por causa do aumento dos impostos”, analisa o proprietário Eli Werneck.

Mas ele acredita que a presença no Festival do Vale do Café pode ser o primeiro passo para modificar essa tendência. “O fundamental de tudo isso é a divulgação, porque as pessoas ficam fascinadas com a destilaria e com o produto.”

Uma divulgação que já começou na última sexta-feira, na cachaçaria Magnífica. No mesmo dia, também foi feita visita à cachaçaria Pilão, em Miguel Pereira. No sábado, foram guiadas visitações às cachaçarias Werneck e Vilarejo, em Conservatória, distrito de Valença. Neste domingo, ocorrerão visitas às cachaçarias Carvalheira, em Vassouras, e Ribeirão, em Barra do Piraí.

Produtores agora lutam para reduzir os impostos

Com altitude que varia entre 300 e 600 metros, a região possui condições climáticas e de solo favoráveis nos canaviais. Um contraste com o aumento dos impostos, que dificultam a atividade dos produtores de cachaças artesanais. Situação que está mobilizando a categoria a buscar melhores condições para os negócios com o auxílio da associação conhecida como Cachaças dos Vale. “Estamos nos inserindo na rota da cachaça. Queremos expandir a associação e fortalecer os produtores”, argumenta Eli Werneck, presidente da entidade.

Os empresários do ramo se queixam da mudança da regra no cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no fim do ano passado, que inflacionou o produto. Agora, o Instituto Brasileiro da Aguardente de Cana e Cachaça abre diálogo com o governo federal para mudar o estatuto, colocando tributação simples aos pequenos produtores.

“São empresas que não têm estrutura e merecem o incentivo, porque geram o emprego e produzem cachaça. É o terceiro destilado mais consumido no mundo. Os pequenos produtores dão visibilidade ao produto aqui e lá fora. São embaixadores do Brasil de uma boa bebida. Merecem ser estimulados, não penalizados”, defende Raul de Faria, da Magnífica.

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