Reinventar para crescer sem a arrecadação dos royalties

Com a queda do barril de petróleo, Rio das Ostras aposta, agora, no turismo

Por O Dia

Rio - Rio das Ostras sentiu o impacto da crise com a queda dos royalties. Impulsionado pelo petróleo, o município chegou a receber R$ 400 milhões por ano. Uma arrecadação que despencou no ano passado, com repasse de apenas R$ 138 milhões, de acordo com a InfoRoyalties. Mesmo assim, o município foi o sexto que mais recebeu royalties no estado em 2015. Neste ano, a verba será ainda menor, com previsão de apenas R$ 90 milhões, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Em meio a esse cenário, o município resgata uma identidade voltada para o turismo e une forças para retomar o crescimento sem depender dos royalties. O assunto está sendo discutido na décima etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio, do Sistema Fecomércio RJ, que reúne comerciantes e empresários no Vilarejo Praia Hotel, entre ontem e hoje.

Carreta-escola do Senac Móvel está em Rio das Ostras há dez meses e formou mais de 400 profissionaisDivulgação

“A perda orçamentária é de 52%. Estamos aprendendo a sobreviver com menos, reduzindo custos. Rio das Ostras está se reinventando. Agora, não podemos mais depender dos royalties. Precisamos voltar a investir em turismo, que sempre foi a base da economia da cidade é a alavanca da modificação. Esse é o caminho”, avalia Mauricio Pinheiro, secretário municipal de Planejamento, Urbanismo e Habitação.

Um caminho que já está sendo traçado por profissionais que atuam na área. Na última terça-feira, foi concluído um curso de quatro meses com o objetivo de traçar uma estratégia de crescimento para o turismo. "Rio das Ostras é um destino de sol e praia. A gente vai desenvolver uma marca turística da cidade. Não é só imagem, mas é toda uma identidade que precisa ser reforçada", argumenta Paula Meireles, presidente do Rio das Ostras Convention Bureau, uma associação formada por 45 associados ligados ao turismo.

A ideia também vem sendo discutida pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sindicomércio) de Rio das Ostras, que também participa da organização do Mapa. “Precisamos de um slogan para criar uma identidade turística e empresarial. Para isso, temos que qualificar hotéis, pousadas e restaurantes”, projeta.

Mesmo sem slogan, a beleza das praias já dão elementos suficientes para que Rio das Ostras não seja a cidade do petróleo, mostrando que a reinvenção do crescimento econômico está na própria natureza.

Uma solução para a crise

Demitida de uma empresa de óleo e gás de Rio das Ostras há dois anos, Marcela Botteri foi mais uma das vítimas da crise do petróleo. A reação veio em setembro do ano passado, quando decidiu abrir o próprio negócio, uma empresa especializada em fazer doces saudáveis inspirados em receitas ensinadas pela avó.

Mas Marcela está contando com uma mãozinha para aprimorar o cardápio e aumentar os lucros. Ela faz parte da turma de alunos da carreta-escola transformada em cozinha profissional do Senac Móvel, que está em Rio das Ostras há dez meses, ajudando na formação profissional de mais de 400 pessoas. “Tive a ajuda de uma nutricionista para adaptar as receitas da minha avó, com ingredientes integrais e sem glúten. Agora, estou fazendo o curso para aperfeiçoar a minha técnica na cozinha”, afirma.

Uma história bem parecida com a da colega Tathiane Jerônimo, também demitida de uma empresa que sofreu o impacto da crise do petróleo, onde trabalhava como contadora. “Tenho que me reinventar. Agora, faço bolos e cupcakes por encomenda”, diz.

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