Rio das Ostras aposta no turismo para alavancar a economia

Município cresceu com receita de royalties do petróleo

Por O Dia

Rio - Rio das Ostras está em transformação. Até 1992, era um distrito de Casimiro de Abreu formado por pescadores. Não tinha ruas asfaltadas, hospitais ou perspectivas de urbanização. Agora, 24 anos após a emancipação, o caçula entre os 15 municípios-sede do Mapa Estratégico do Comércio, do Sistema Fecomércio RJ, já tem história para contar. A população explodiu, a cidade prosperou com os royalties e agora enfrenta a crise do petróleo, voltando a apostar as fichas na sua principal vocação: o potencial turístico.

Praias e infraestrutura urbana mantêm a boa fama da cidade. Renda familiar já é a terceira maior do estadoDivulgação

Em pouco mais de duas décadas, Rio das Ostras se tornou a cidade que mais expande a sua população no país. Em 1992, o então distrito tinha 18 mil moradores. Um índice multiplicado por sete, chegando a 130 mil moradores no ano passado, segundo dados do IBGE. Curiosamente, o crescimento não teve impacto no poder aquisitivo da população. Rio das Ostras está entre as 50 cidades com maior percentual da população na classe A, onde a renda familiar é superior a R$ 12 mil por mês.

Marcelo Neri, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e um dos palestrantes do Mapa do Comércio, compara a explosão demográfica da cidade com a China. E vê vantagens para o município da Baixada Litorânea, que possui o terceiro maior crescimento de renda de moradores no estado, atrás apenas de Niterói e da capital.

“A população cresceu. Mas aumentou a renda das pessoas. Rio das Ostras é um exemplo de emancipação que deu certo. Tem crescimento estrutural. É para causar inveja aos chineses, onde houve crescimento com desigualdade”, diz. Algumas pessoas migraram de lugares próximos, como Nova Friburgo, Macaé e Campos dos Goytacazes. Mas chegou gente de Niterói, Rio de Janeiro e de municípios da Baixada Fluminense, em busca de prosperidade.

É o caso de Marilane dos Santos Ludogerio, proprietária de uma cachaçaria que comercializa mais de 200 marcas fabricadas em Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Sul e Rio. Ela morava com o marido em Duque de Caxias, na Baixada, e decidiu se mudar para Rio das Ostras há dez anos, quando engravidou. Na época, a cidade estava em pleno crescimento, devido aos royalties do petróleo, que geravam arrecadação anual média de R$ 400 milhões. Neste ano, a previsão é quatro vezes menor. “A situação piorou. Só conseguimos vender mais no verão ou quando tem algum evento na cidade.”

O estabelecimento fica no Shopping Tocolândia, símbolo do crescimento na região. O local, fundado há mais de 40 anos, só vendia plantas e móveis rústicos. Nas duas últimas décadas, o espaço foi ampliado e aberto para todo tipo de comércio. Hoje, há 32 lojas, que movimentam mais de R$ 2 milhões por ano. Os proprietários querem promover uma feira de produtos orgânicos. “A Tocolândia é diversificada e já virou atração turística. Mas precisamos voltar o foco para a economia local”, explica a proprietária Aline Campos.

A Tocolândia fica na Costa Azul, principal atração turística da cidade. Em uma parte da praia, há espaço procurado por surfistas e nadadores. Em outro, quiosques ao redor da orla e banhistas até em dias de semana. E a aposta de que o turismo fará a cidade voltar a crescer, fazendo com que a dependência econômica dos royalties seja como a lembrança de um dia nublado em meio a um verão ensolarado em Rio da Ostras. 

Plantio de uva é atração na zona rural

Uma estrada de chão batido revela um horizonte com montanhas verdes em Cantagalo, zona rural de Rio das Ostras. Ali fica um sítio onde é feito o único plantio de uvas em escala comercial da Baixada Litorânea, parte do roteiro do turismo rural da região.

Há três anos, Marcio Bernardino decidiu começar o plantio em um parreiral com 250 pés de duas variedades de uva: a niágara rosada e a isabel, que produzem até duas toneladas por plantio. As visitações gratuitas são agendadas pelo perfil do sítio no Facebook no período de colheita, que ocorre duas vezes ao ano, em julho e em dezembro. Cerca de duas mil pessoas visitam o local anualmente.

A receita vem da venda da geleia produzida lá e da uva, que sai por R$ 10 o quilo. “A intenção é fazer a venda aqui. As pessoas conhecem, tiram fotos e compram. Temos o privilégio de tirar a uva no ponto certo. Por isso essa doçura”.

E já há um plano de expansão do negócio, com possibilidade de venda para hortifruti. Enquanto constrói um outro parreiral para dobrar a produção, Marcio já inicia a produção de um vinho artesanal.

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