Por gabriela.mattos

Rio - Com quatro quilômetros de extensão e cerca de 900 lojas, a Rua Teresa é o ponto de equilíbrio da economia de Petrópolis. São 42 mil empregos diretos e indiretos, relacionados a uma geração de renda que equivale a 14% do PIB da cidade. Mas a crise atingiu a principal área lojista do município da Região Serrana, que aposta na volta do Rua Teresa Fashion, tradicional evento de moda do setor que não ocorre há dois anos, para estimular o resgate da fabricação própria e alavancar as vendas.

Estilista Bruna Pinheiro aposta em grife própria e segue tendênciasHerculano Barreto Filho / Agência O Dia

Há uma negociação em andamento da iniciativa que já teve outras oito edições, com estimativa de arrecadação de R$ 4 milhões em três dias de desfile. O assunto foi discutido no Mapa do Comércio, do Sistema Fecomércio RJ, encerrado ontem à tarde após dois dias de debates entre empresários. “Existe a possibilidade de fazermos uma parceria com o Senac. O Senac também poderia oferecer vagas para alunos dos cursos de maquiagem e cabeleireiros, criando oportunidades de trabalho num grande evento”, aposta o empresário Marcelo Fiorini, presidente do Sindicato Varejista (Sicomércio) de Petrópolis.

A expectativa é que modelos exibam a nova coleção de verão de 40 grifes numa passarela colocada na própria Rua Teresa, entre o fim de setembro e outubro deste ano. A previsão é que o evento atraia mais de mil pessoas, mas o principal objetivo é trazer os atacadistas num raio de até 300 quilômetros. Além de municípios do Estado do Rio, o Rua Teresa Fashion mobiliza compradores do Espírito Santo e Minas Gerais para uma rodada de negócios. “O evento dá visibilidade para a Rua Teresa. E também atrai moradores e turistas. Mas são os atacadistas que fazem as compras em maior volume”, explica Fiorini.

O Rua Teresa Fashion também tem o objetivo de estimular o resgate de uma identidade perdida nos últimos anos: as lojas com grife própria do local. Há dez anos, 70% delas fabricava os produtos que vendiam. Mas o índice caiu para 30% nos últimos anos. Um dos fatores que contribuíram para essa queda foi a mudança de perfil do comércio local. Antes, as fabricações abasteciam atacadistas. Agora, se dedicam ao varejo, na venda aos clientes que olham os produtos na vitrine.

Grifes ganham visibilidade

Para a empresária Claudia Pires, presidente da Associação da Rua Teresa, o crescimento da concorrência em outros municípios, aliado à dificuldade de deslocamento, influenciou a mudança de perfil do comércio local. Mas ela acredita que o evento de moda pode fortalecer as grifes da região, estimulando a produção própria.

“Há mais lojas em outros estados. Mas as condições da estrada e o pedágio caro também influenciam. O que a gente precisa é de visibilidade. E que os lojistas invistam nos seus negócios. Temos a necessidade de resgatar a identidade da Rua Teresa. O importante é captar o que temos de melhor e explorar o nosso potencial”, defende.

Aposta é em fabricação própria

A Estravaganzza é uma das lojas que ainda resiste à tendência de terceirização e aposta na fabricação própria de jeans femininos na Rua Teresa. Para a estilista Bruna Pinheiro, coordenadora de estilo da loja e responsável por criar as coleções da grife, a vantagem é a possibilidade de acompanhar as novas tendências com mais agilidade.

“A moda muda rapidamente. O cliente vê e quer encontrar essas referências na nossa linha de produção”, diz, enquanto experimenta roupas na modelo da loja, que exibe peças da coleção em fotos fixadas na parede do estabelecimento.

Na loja Turquesa, a preocupação é aprimorar o atendimento ao turista, principalmente o estrangeiro. “O inglês é básico, mas pode melhorar. Petrópolis é uma cidade turística. Por isso, o atendimento em outro idioma é necessário para melhorar o atendimento”, avalia a gerente Celia Regina de Souza.

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