Por gabriela.mattos

Rio - Você sabia que as cervejas artesanais são feitas em panelas com água, malte, lúpulo e levedura? O processo pode durar até 30 dias, entre tritura do malte, cozimento, filtragem, fervura e resfriamento. E sabia que o sabor pode ser harmonizado com as refeições? Não? É porque você não passou pelo roteiro cervejeiro de Petrópolis, uma iniciativa em efervescência na Região Serrana, na contramão da crise econômica que afeta o país.

Um crescimento que motivou um grupo de empresários a criar o ‘Deguste’, feira mensal de cerveja artesanal iniciada em janeiro na cidade que sediou o Mapa do Comércio, do Sistema Fecomércio RJ, entre quinta e sexta-feira. Desde 2002, Petrópolis forma mestres cervejeiros, num curso promovido todo mês pela cervejaria Buda Beer desde 2002. Por R$ 450, os alunos acompanham todos os passos da fabricação da cerveja de panela. Em um dia de atividades, degustam a bebida, ganham apostila e certificado reconhecido pela Associação das Cervejarias Artesanais. O local também é ponto de encontro de mais de 50 cervejeiros, com degustações mensais.

À noite, o QG dos cervejeiros vira um pub que abre de quarta a domingo e chega a ser frequentado por até 500 pessoas aos sábados. Lá, até os mictórios são feitos com barris de chope. Nos fundos do pub, que só abre às 18h, fica a cozinha, onde são fabricados os sete tipos de cerveja com a marca que dá nome ao bar. “Antes, era só malha e móvel. Agora, a rota da cerveja artesanal de Petrópolis vira mais um ponto turístico da cidade”, acredita Pedro Paulo Silveira, gerente do pub Buda Beer.

São 10.500 litros por mês. Metade dessa quantidade é consumida no próprio bar. O restante é vendida em garrafa em supermercados locais e em 28 lojas da capital. Um cenário que passou a integrar o roteiro turístico de Petrópolis há dois meses. É o ‘beer tour’, visita guiada de 50 minutos para turistas de todos os lugares do país e do exterior. No bar, o turista ouve explicações sobre a história da cerveja artesanal, a harmonização dos tipos de bebida com o cardápio e demonstração do processo de fabricação na própria cozinha do bar. Com direito a degustação das bebidas, claro.

Pedro Paulo Silveira é gerente do pub Buda Beer%2C que vende cerveja engarrafadaHerculano Barreto Filho / Agência O Dia

Cervejaria Brew Point vai fabricar bebidas de sete marcas da cidade

Uma iniciativa inovadora promete revolucionar o mercado de produção de cerveja artesanal em Petrópolis nos próximos anos. Num galpão de 600 metros quadrados na Quitandinha, irá funcionar o Brew Point, local onde serão fabricadas seis diferentes marcas. Quatro panelas de cozimento, tanque de resfriamento, local de estoque de malte e três tanques com capacidade de armazenamento de 12 mil litros já estão lá.

O ponto é estratégico, já que fica na entrada da cidade. As marcas, hoje, são conhecidas como cervejarias ciganas, porque não possuem alvará de funcionamento emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Por isso, a produção é limitada, feita numa fábrica em Juiz de Fora, Minas Gerais. Com a Brew Point, que deve abrir no fim de setembro, a produção deve chegar a 100 mil litros mensais em cinco anos. É a metade da cervejaria Colorado, uma das mais conhecidas do país.

O projeto foi idealizado no ano passado e iria contar com a parceria de investidores, que acabaram voltando atrás em meio à crise. Mas isso não foi o suficiente para colocar a ideia na gaveta. Idealizador do projeto, o empresário José Renato Romão, dono da marca Duzé, uma cervejaria cigana com mais de três anos de existência, fez parceria com cotas distribuídas para as outras marcas de Petrópolis envolvidas na sociedade.

“É um modelo inédito de negócio, porque as marcas já existem. É um produto que tem tudo para revolucionar a microeconomia da região”, aposta Romão, que prevê queda de 15% no preço das cervejas e aumento de 10% no lucro em decorrência da redução do custo operacional.

Sacoleiros e clientes movimentam comércio no bairro do Bingen

Não é só a Rua Teresa que movimenta o comércio de Petrópolis. Há três décadas, um pequeno grupo de sacoleiros que organizava feirinhas às margens da BR-040 na madrugada deixou a rodovia para se estabelecer na Rua Doutor Paulo Hervê, no bairro do Bingen. Hoje, são mais de 200 lojas, gerando cerca de 1,2 mil empregos diretos e indiretos.

Um local que movimenta sacoleiros e representantes de marcas de roupa em torno de quatro microshoppings. O maior deles é o Grupo 15, em alusão aos sacoleiros que deram origem ao comércio local. A maior movimentação é de outubro a dezembro, com 800 sacoleiros, movimentando cerca de R$ 250 mil por dia.

O movimento começa cedo. Às 6h, ônibus, vans e carros grandes estacionam na calçada, trazendo sacoleiros de todo o país, que revendem em outras lojas os produtos de grifes próprias comprados ali. Eles são trazidos por guias, que recebem comissão. Silvia Aragão é uma delas. Na quinta, trouxe uma sacoleira da Rocinha, Zona Sul do Rio, que comprava roupas femininas para revender na comunidade.

Perto dali, Marta e Débora Kimelblat, mãe e filha, traziam roupas infantis de uma empresa catarinense para oferecer aos lojistas. “Os lojistas de Petrópolis são os nossos principais clientes”, diz Débora.

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