Emissões de gases do efeito estufa devem subir 80% no mundo até 2050

Crescimento poderia ser freado caso 20% do total investido no transporte individual fosse usado para expandir sistema público

Por O Dia

Rio - Mais de 100 trilhões de dólares em capital público e privado e 1,7 bilhão de toneladas anuais de dióxido de carbono na atmosfera. Tudo isso poderia ser poupado, até 2050, se 20% do total investido no transporte individual fosse usado para expandir o sistema público, a pé e de bicicleta no mundo, apontou estudo do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). Entretanto, sem essa expansão do transporte público, a emissão de gases poluentes deve aumentar em mais de 80% até o mesmo ano, em comparação com 2009, principalmente devido ao aumento desordenado de automóveis nas cidades.

As previsões estão no último relatório da União Internacional dos Transportes Públicos (UITP). Com base em dados das Organizações das Nações Unidas (ONU), o documento mostra que, já em 2009, os transportes contribuíram com 25% das emissões globais de gases de efeito estufa. O estudo ainda ressalta que “ações ambiciosas são essenciais para alterar os padrões de mobilidade atuais” e “evitar alterações climáticas perigosas”, como a piora da qualidade do ar.

Engarrafamento%3A transportes são responsáveis por 25% de todas as emissões de gases do efeito estufaCarlos Eduardo Cardoso / Parceiro / Agência O Dia

Para Clarisse Linke, diretora executiva do ITDP Brasil, três frentes de atuação do poder público são primordiais para abater a emissão de gases poluentes. Um deles é um planejamento urbano que reduza as necessidades de deslocamento das pessoas, priorizando o uso misto do solo em bairros com empregos, moradia e serviços próximos uns dos outros. A segunda medida importante, segundo ela, é o estímulo a modos mais eficientes e limpos de deslocamento, como o transporte coletivo, a pé e por bicicleta.

Em terceiro lugar, Linke menciona o aprimoramento energético tecnológico, como ônibus elétricos. Mas só eletrificar não dá conta do desafio, ressalta: “É preciso uma visão coerente de cidade, com integração multimodal e qualidade dos serviços para que o dono do automóvel se convença a mudar para o transporte público.”

Rio ainda não prevê ônibus elétricos

Entre bons exemplos mencionados no relatório “Tendências do Transporte Público”, da UITP, está Londres. A partir de 2020, todos os veículos que circulam no centro da cidade terão de respeitar um novo padrão de emissão de gases menos poluentes. O operador do transporte público local tem o compromisso de garantir que todos os 300 ônibus da região atinjam a marca zero de emissões. Os 3 mil famosos ônibus de dois andares serão híbridos.

Já no Rio, depois de vários testes realizados com ônibus elétricos e híbridos, a prefeitura informa que não tem plano de implantação desses veículos. “Somos carentes de incentivos do governo federal para financiamento da tecnologia (bem mais cara do que os coletivos a diesel), nacionalização da produção e subsídios”, destaca o gerente de Planejamento e Controle da Fetranspor, Guilherme Wilson.

Coordenador de Mobilidade Urbana do Instituto Clima e Sociedade, Walter Figueiredo de Simoni culpa o poder público por não exigir nos contratos de concessão das linhas de ônibus metas de substituição sustentável da frota da cidade.

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