Por gabriela.mattos

Rio "Os 155 quilômetros de BRT, 28 quilômetros de VLT, a expansão do metrô, mas, sobretudo, um sistema que organizou e integrou todos os modais’. Assim o secretário executivo de Coordenação de Governo, Rafael Picciani, define o legado que a Olimpíada deixará para a mobilidade no Rio. Especialistas elogiam a ampliação da rede, mas cobram que o poder público propicie aos cariocas a integração tarifária que só os espectadores dos Jogos tiveram até agora.

O RioCard olímpico, aceito apenas durante o evento, permite trocar ilimitadamente de transportes por um, três ou sete dias. O conceito é aprovado por especialistas, que só criticam os preços atuais (variam de R$ 25 a R$ 160). Sobretudo na conexão do metrô em Vicente de Carvalho e no Jardim Oceânico, na Barra, com os BRTs Transcarioca e Transoeste, sem o cartão dos Jogos, os passageiros que fazem a baldeação têm de pagar as tarifas cheias, já que ainda não há integração tarifária entre esses modais.

A operação da conexão da Linha 4 com o BRT foi elogiada por especialistas%2C mas a tarifa é o desafioClaudio Souza / Agência O DIA

“O bilhete olímpico é como são feitas as integrações nas cidades mais avançadas. Em certo período de tempo você tem transferências ilimitadas nos transportes. Deveria ser assim em toda a região metropolitana, com a liberdade do usuário mudar de linha sem ter que comprar outro bilhete”, diz José Eugênio Leal, professor do departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio.

“O ideal é que o RioCard olímpico ou outro cartão que o substitua possa continuar permitindo o mesmo serviço, mas com preços módicos”, aponta o engenheiro de Transportes Alexandre Rojas, da Uerj.

Falta parte financeira

A Prefeitura do Rio pretende manter um bilhete com função semelhante ao RioCard Jogos Rio 2016 após a Olimpíada nos transportes controlados pelo município (ônibus municipais, BRT, VLT e vans legalizadas), porém não há negociação econômica em andamento.

"Temos solução técnica, que antes impedia a cidade de ter um cartão multimodal de validade diária, porém não há contratação econômica que defina prazos, valores, modais que participarão”, explica o secretário Rafael Picciani.

A Secretaria Estadual de Transportes, responsável por metrô, trens, barcas, ônibus e vans intermunicipais, informou que a continuidade da integração está sendo estudada.

Para José Eugênio Leal, da PUC, a solução para criar um sistema de integrações seria unificar os caixas dos meios de transporte.

Horário do metrô é lado negativo

Os especialistas concordam que o plano de mobilidade executado desde o início dos Jogos tem balanço positivo, com mais acertos do que erros. “O plano deu certo. Fizeram um esforço significativo para inaugurar a Linha 4, com soluções técnicas sofisticadas. O plano de integração com o BRT funcionou muito bem”, avalia Alexandre Rojas. Ele critica os diferentes horários definidos para cada linha de metrô (a Linha 2 funciona até 0h; a 4, até 1h; e a 1, até 1h30), o que deixou passageiros da Linha 2 sem o transporte após as últimas partidas da noite.

“Ter o metrô, vários BRTs e linhas especiais atuando é bom. Existe um sistema que leva as pessoas aos locais”, elogia José Eugênio Leal, da PUC. Falta de informação e as distâncias entre as estações e as entradas das arenas são os pontos negativos na opinião dele.

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