Especialistas criticam propostas de candidatos para a mobilidade

Entre os pontos discutidos estão a retirada de radares e transporte gratuito

Por O Dia

Plano de candidato sugere linhas de ônibus gratuitas em locais pobresBanco de imagens

Rio - Passada a temporada de obras de mobilidade urbana feitas para os grandes eventos, o próximo prefeito do Rio terá o desafio de dar continuidade aos investimentos na área e aprimorar o que já faz parte da realidade do carioca. O DIA pediu para três especialistas analisarem as propostas dos candidatos para o setor. Projetos, segundo eles, de caráter populista, como retirada de radares de trânsito, criação de empresa pública, implantação de tarifa zero e passe livre social foram avaliados com preocupação.

O engenheiro de Transportes Ronaldo Balassiano, da Coppe/UFRJ, classificou como perigosa a promessa de Marcelo Crivella (PRB) e Índio da Costa (PSD) de reduzir os equipamentos de controle de velocidade. O bispo promete, para o primeiro ano de governo, manter só os pardais que “justifiquem sua necessidade para reduzir acidentes”. Índio fala em retirar os radares “que não tenham obedecido a critérios técnicos e racionais na instalação”.

“O radar é fundamental para reduzir acidentes e para a educação dos motoristas. Não resolve todo o problema, mas reduzir esses equipamentos aumentará os acidentes. Parece demagogia com usuários de carro”, diz Balassiano.

José Eugênio Leal, do Departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio, contesta projetos de Jandira Feghali (PCdoB) e Marcelo Freixo (Psol) para a população de baixa renda. A candidata quer implantar o passe livre social nos transportes para desempregados, trabalhadores informais, estudantes de ensino público e cotistas, alunos do Fies e ProUni e cadastrados do bolsa família. Freixo promete linhas ou zonas de tarifa zero, começando pelas regiões mais pobres e de maior fluxo.

Segundo seu plano de governo, essas linhas seriam custeadas por fundo a ser criado com a arrecadação de multas de trânsito, repasses federais e estaduais. “Tem que saber como vai financiar isso e esse não é o momento. Pode ser que daqui a alguns anos haja uma situação financeira favorável. Mas será que vamos ter dinheiro sobrando com tantas outras questões urgentes como saúde e educação?”, reflete Leal.

Freixo também propõe empresa pública para planejar, gerir e fiscalizar a operação dos transportes de responsabilidade municipal. “Já tivemos essa experiência e não foi boa, porque virou cabide de empregos e perdeu produtividade. Se a prefeitura tiver uma regulação forte, a empresa privada vai se comportar como o município quer”, avalia o professor da PUC.

Falta plano de vias para carros

Chamou atenção do engenheiro de Transportes Alexandre Rojas, da Uerj, que nenhum dos candidatos mencionou projeto visando a melhorias nas vias para facilitar a mobilidade por carros, nem o Plano de Mobilidade Urbana do Município (com exceção de Freixo) ou o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), do estado, que norteiam o planejamento de políticas de desenvolvimento do setor.

“Não tratam do fato que a construção e ampliação de vias com meios de mobilidade promove desenvolvimento de uma região. Menciona-se o transporte público sem considerar a coexistência com carros”, afirma.

Rojas também destacou que Alessandro Molon (Rede) tem propostas genéricas e pouco detalhadas para a mobilidade. Ele sentiu falta ainda de projetos de política habitacional relacionada com políticas de mobilidade urbana nos planos de governo de Flávio Bolsonaro (PSC), Índio da Costa, Marcelo Crivella, Carlos Osorio (PSDB) e Pedro Paulo (PMDB).

As boas ideias de cada um

Das sugestões de Flávio Bolsonaro, Alexandre Rojas destaca a integração plena dos meios de transporte. Auditar os contratos das concessionárias foi apontado por Rojas como ponto positivo dos programas de Freixo e Molon. Sobre Marcelo Crivella e Carlos Osorio, José Eugênio Leal elogia a vontade de rever a racionalização das linhas de ônibus com a população e incluir o metrô na integração tarifária. Para Ronaldo Balassiano, Jandira Feghali ganha ponto ao propor articulação das políticas habitacionais com as de mobilidade. Expansão de BRTs, citada por Pedro Paulo, e planejamento integrado com a Região Metropolitana, proposto por Índio, também são boas ideias, para Balassiano.

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