Rio - Um aplicativo de caronas desenvolvido por estudantes da UFRJ deu origem a estudo inédito da Coppe, que aponta a necessidade de estímulo a opções sustentáveis de transporte. Lançado em abril, o Caronaê já conta com mais de 10 mil estudantes cadastrados. Em dois meses, a iniciativa evitou a emissão de mais de 123 toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e impediu que 38 mil novas viagens fossem realizadas de carro até o campus do Fundão.
“As cidades universitárias representam, às vezes, uma amostra fidedigna de uma cidade real e servem como um laboratório para testar possíveis formas de minimizar os impactos do transporte”, analisa Suzana Kahn, coordenadora da equipe do laboratório urbano de mobilidade da UFRJ, responsável pelo estudo.
O aplicativo disponibiliza pontos de encontro fixos na universidade. A utilização depende de cadastro e é restrita a alunos e funcionários da UFRJ, que combinam as viagens entre si, de acordo com os trajetos em comum. Suzana ressalta que, além da redução das emissões, a proposta também é eficaz para facilitar o deslocamento até a Ilha do Fundão, que não possui metrô ou trens. “Como há poucas linhas de ônibus na Ilha do Fundão, as pessoas acabam optando por ir de automóvel. Essa quantidade, indo e voltando nos mesmos horários, facilita a organização das caronas.”
Para a coordenadora do estudo, o modelo tem potencial para ser reproduzido por outros polos geradores de viagens, como grandes empresas, shopping centers e outras faculdades. Uma forma de melhorar a mobilidade na cidade. Outra iniciativa que também pode ser vista na UFRJ são carros elétricos em forma de joaninha, que transportam até 23 alunos. A ideia é reduzir o uso de veículos dentro do campus e a poluição do ar.