Professores em greve e alunos param circulação do VLT na Praça Mauá

Vagões foram pichados e receberam adesivos. Manifestantes andaram sobre trilhos e última viagem foi cancelada

Por O Dia

Rio - Professores da rede estadual decidiram nesta quarta-feira pela continuidade da greve, que entra nesta quinta-feira no 114º dia. Apesar de ser um meio de transporte implementado pela prefeitura, o VLT acabou sendo alvo do movimento. Logo depois da assembleia que decidiu pela manutenção da greve, uma manifestação, organizada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), ocupou os trilhos do VLT e impediu a circulação do veículo na Avenida Rio Branco nos dois sentidos.

Manifestantes interromperam a circulação do VLTFelipe Martins / Agência O DIa

Por volta das 15h40, um bonde que estava parado na Estação dos Museus, próximo à Praça Mauá, no Centro, foi cercado e os passageiros, obrigados a desembarcar. Parte dos manifestantes colou adesivos e pichou o veículo a caneta, com frases contra o secretário de Educação, Wagner Victer, e o governador em exercício, Francisco Dornelles.

Durante o protesto, passageiros foram obrigados a desembarcar. Pais de uma criança acabaram ficando presos com o filho. Segundo um funcionário da concessionária, a mãe do menino é deficiente visual e não conseguiu desembarcar antes de o veículo ser cercado pelos manifestantes.

Enquanto colavam os adesivos, os manifestantes gritavam ‘Eu quero educação, não quero VLT’. Do carro de som, uma voz gritava: ‘Para o governo, é tudo para a Olimpíada e nada para a educação.”

Funcionários da VLT Carioca tentaram impedir, sem sucesso, o ‘adesivaço’. Houve discussão entre agentes e manifestantes e a PM foi acionada. Por medida de segurança, a concessionária decidiu interromper em toda a extensão a circulação do VLT, que terminaria às 16h. Passageiros que aguardavam nas estações por cerca de meia hora o próximo bonde foram informados do fim antecipado do funcionamento do serviço. Muitos seguiram a pé sobre os trilhos até o destino final.

Alunos e professores caminharam até a Cinelândia, observados por 10 policiais militares. Parte dos estudantes, aparentando entre 12 e 14 anos, tinha o rosto coberto com toucas ninjas, usava roupas pretas e levava a bandeira do anarquismo à frente, como faziam os black blocs nos protestos de 2013.

Quando o protesto já havia sido encerrado, já na noite desta quarta-feira, um grupo de mascarados entrou em confronto com agentes da prefeitura na região da Cinelândia. Houve trocas de socos e pontapés. Lixeiras e cones de trânsito foram arremessados pelas pessoas com o rosto coberto. No entanto, o Sepe não soube dizer se eram os mesmos que participaram da manifestação durante a tarde. Não há informação até o fechamento desta reportagem de pessoas detidas.

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Alguns manifestantes foram às ruas do Centro mascaradosFelipe Martins / Agência O DIa

Líder sindical culpa estudantes por pichação e colagem no bonde

Os adesivos colados no VLT faziam referência à greve dos professores, com o pedido de reajuste de 30%, e contavam com o nome do Sepe impresso. Coordenador do sindicato, Marcelo Sant’ana responsabilizou os estudantes pela pichação e colagem de adesivos no bonde.

“Nós não tivemos deliberação na nossa assembleia a esse tipo de ato. O movimento estudantil é um movimento autônomo e tem total liberdade para se manifestar. Os profissionais de educação não reprimem os alunos”, disse Sant’ana, para depois completar. “Mas eu não estava lá (no momento da colagem dos adesivos), estava na Alerj, não posso dizer como foi”.

No entanto, a reportagem do DIA observou que alguns dos manifestantes que colavam os adesivos aparentavam ter acima de 30 anos, embora a maioria aparentasse ser formada por adolescentes. “A gente quer negociar, mas o secretário (Wagner Victer) apenas diz que não tem dinheiro para dar aumento. Não pode dar reajuste aos servidores, mas pode dar isenção a várias empresas. Pode fazer licitação para ter comida de luxo no Palácio Guanabara”, disse Sant’ana. A Secretaria estadual de Educação não se manifestou a respeito do protesto e da greve.

Manifestantes interromperam circulação do VLTFelipe Martins / Agência O DIa
Manifestantes picharam e colcaram adesivos nos vagões do VLTFelipe Martins / Agência O DIa
Adesivos foram colados em todos os veículos paradosFelipe Martins / Agência O DIa


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