Afinal, o que define uma mulher?

Poesia Segunda Pele vai virar filme. A previsão de lançamento é até junho

Por O Dia

Maquiagem, cabelo, figurino... 101 mulheres fotografadas, histórias diferentes, uma causa em comum: desconstruir padrões de beleza na luta contra o preconceito. O projeto Poesia Segunda Pele saiu do papel para o corpo de mulheres. Do registro fotográfico da iniciativa vai sair um filme, com previsão de lançamento até junho.

A história do Segunda Pele, criado pela poetisa Camila Senna, 29, vai ser contada em um curta de produção independente do Cineclube Xuxu Com Xis. “Adorei quando conheci este trabalho e achei que dava para contar isso diante das câmeras. Estamos em processo de edição final”, conta Pamella Ohnitram,uma das produtoras do curta.

Poesias são de autores da BaixadaCamila Senna


Foram dois meses de gravação para mostrar na tela recortes do que é o projeto, e os bastidores das produções. “Nossas conversas sobre empoderamento da mulher e nossa luta estão em um filme e vai ser divulgado como eu sempre quis, através da poesia, provando que a palavra é andarilha”, diz Camila.


Poesia Segunda Pele vem de histórias como a de Vera Lucia Sansil. “O que define uma mulher? A boca vermelha, o salto alto? As unhas pintadas, os seios, os glúteos, o comportamento? Tolo engano! O que define uma mulher é sua essência! Uma mulher é e faz o que quer como lhe aprouver. Cada essência é única”, palavras escritas por ela em um momento difícil, a retirada do seio por causa de um câncer de mama. “Me senti valorizada e linda, livre da cobrança pela beleza perfeita”, conta Vera sobre as fotos. 

É um projeto com mulheres que sofreram violência, abuso, preconceito e exclusão. Seja por estarem acima do peso, serem negras, magras demais... enfim, por estarem fora dos padrões impostos pela sociedade, por serem mulheres. “É um basta, uma reflexão, um grito de liberdade, um clamor por igualdade, é beleza”, explica Pamella. 


O Segunda Pele surgiu em 2014. “Escrevo desde pequena e sempre tentei tirar a poesia do papel. Um dia, fazendo recorte e colagem, as palavras poesia e pele ficaram lado a lado, e pronto...a ideia surgiu”, relembra.

No início, os versos eram escritos com batom. Depois ela descobriu uma caneta a prova d'água. Com ela, escreve poesias de protesto, beleza, amor e tudo o que estas mulheres têm a dizer. 



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