Os números que (não) deixam mentir

O contraste entre PIB e IDH revela como o poder público deixa de investir nas cidades da Baixada

Por O Dia

Nem sempre os números revelam a verdadeira identidade das cidades. Duque de Caxias, por exemplo, produz o terceiro maior PIB a preços correntes do estado e o maior da Baixada, impulsionado pelo polo petroquímico, mas seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) não tem o mesmo desempenho positivo. Ele atinge 0,711 pontos, ficando em 49º no ranking, enquanto Niterói desfruta do primeiro lugar, mesmo com o PIB que fica na 4º colocação, abaixo de Caxias.

“Se analisarmos o número do IDH de Caxias isoladamente ele é considerado bom para a média nacional, mas para uma cidade que tem PIB de aproximadamente R$ 25 milhões, não é um resultado satisfatório”, explica a socióloga Rosane Lopes.

Por outro lado, Japeri ocupa as últimas posições da relação de PIB, com quase R$ 1 milhão e o IDH está na marca de 0,659, o pior da região, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), medido a partir de três indicadores: educação, longevidade e renda.

“Os números de IDH de Japeri não estão tão distantes de Caxias. E se levarmos em consideração o fato de que o PIB de Caxias é bem maior, a situação é bem mais grave”, diz a socióloga.

O bairro Jardim Gramacho é a prova de que os números podem criar uma falsa imagem. Esquecidos desde o fechamento do Aterro Sanitário do Gramacho, em 2012, os moradores vivem em barracos, sem saneamento básico e com sérios problemas para conseguir água potável.

Município de Caxias fica em 49º no ranking estadual que mede o Índice de Desenvolvimento HumanoFoto de arquivo

O Rio é um local de segregação socioespacial, a Baixada foi o destino dos excluídos e os trabalhadores foram empurrados para áreas degradadas. Caxias, é o exemplo de que a riqueza gerada no município não foi revertido em serviços de saúde, saneamento e educação para a população”, analisa Rosane.


Reportagem dos alunos do projeto O DIA/ UNIGRANRIO

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