Símbolo de resistência e cultura

Baianas de acarajé já são consideradas patrimônio em Nilópolis e Mesquita

Por O Dia

Com a grande saia rodada, pano nas costas, turbante na cabeça, bata e colares com as cores dos seus orixás, elas são inconfundíveis. Símbolo de resistência, nas ruas da Baixada as baianas do acarajé ainda são poucas, apenas seis cadastradas, enquanto na cidade do Rio são cerca de 50. Mesmo assim, em Nilópolis e São João de Meriti elas já são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial.
E a causa ganhou ainda mais força com a criação da sede da Abam na Baixada (Associação de Baianas de Acarajé e Mingau). A entidade está lutando para colocar pelo menos quatro baianas em cada município da região.

Para ser uma baiana legalizada é preciso estar caracterizada. “Isto é o que nos configura e temos que preservar. É a nossa cultura sendo propagada”, diz Débora Cardial, coordenadora estadual da Abam.

Nova sede da Abam da Baixada Fluminense, em São João de Meriti, tem a missão de aumentar o número de baianas Edson Taciano


O Iphan reconheceu as baianas como patrimônio imaterial do Brasil em 2005. No Rio, a lei foi sancionada em 2015. “O patrimônio é reflexo da identidade de um povo e representa tudo que deve ser preservado. O patrimônio imaterial é a prática, representação e objeto ”, explica o antropólogo da UFRJ, Luiz Fernando Dias.

Acompanhadas por seus tabuleiros, elas carregam seus acarajés. A comida é um bolinho característico do candomblé, e a palavra tem origem africana, significa ‘comer bola de fogo’. O quitute é considerado uma oferenda aos orixás.

As baianas do acarajé devem estar sempre com as vestes características Edson Taciano


Mesmo ao ser vendido num contexto fora das crenças religiosas, o preconceito é algo corriqueiro segundo a baiana Analys de Oyá. “Muita gente acha que o acarajé é comida do demônio. O maior preconceito vem dos evangélicos”, afirma.

O pastor Selmo de Lima acredita que é preciso separar a questão cultural da religião. “Eu não vejo problema, as baianas fazem parte da cultura do país. Para mim é uma comida como outra qualquer”, opina.

Associação das Baianas de Acarajé quer difundir a cultura africanaEdson Taciano


Além do valor cultural, a associação também procura a profissionalização. “O acarajé tem valores culturais, mas também buscamos transformar este ofício em algo profissional, organizado. Queremos isso aqui na Baixada”, diz Marcelo Fritz, conselheiro da Abam.

Para se associar basta enviar e-mail: abam.rj@gmail.com. A Abam Baixada fica no terreiro Axé Ogboju, na Av. Presidente Kennedy 335, em Coelho da Rocha, São João de Meriti.

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