‘Padre das ruas’ faz 50 anos de sacerdócio

Fundador da Casa do Menor, religioso Renato Chiera celebra jubileu de ouro em Miguel Couto

Por O Dia

Nova Iguaçu - Os números são de celebração. A os 75 anos de vida e 40 de Baixada Fluminense, o padre italiano Renato Chiera completa, neste domingo, 50 anos de sacerdócio. Para comemorar o jubileu de ouro, o fundador da Casa do Menor realiza missa festiva às 9h na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Miguel Couto, Nova Iguaçu. A celebração acontece logo depois de o padre Renato ter participado de uma festa junina na igreja e de, recentemente, ter voltado do Nordeste, onde há três unidades da Casa do Menor.

Como ele mantém o pique? “O amor dá energia. Quem sonha não envelhece. Se perdemos o sonho, perdemos a vontade de viver e de transformar a realidade. Eu continuo tendo sonhos”, exalta.

O padre Renato Chiera e um grupo de jovens da Casa do Menor São Miguel Arcanjo%2C em Nova IguaçuDivulgação

A trajetória do padre Renato começou em 1967, quando foi ordenado na Itália. Em 1978, ele recebeu a missão de vir à Diocese de Nova Iguaçu, onde ajudaria a construir 12 comunidades. Uma noite em 1982, porém, mudou para sempre a história do religioso. Ele encontrou, na garagem, o jovem conhecido como Pirata, ferido e fugindo da polícia. “Pensei que quisesse me assaltar, mas eu o acolhi. Isso me marcou muito”, conta.

Poucos meses depois, Pirata seria morto em frente à casa paroquial de Miguel Couto. No mesmo mês, outros 36 adolescentes foram assassinados no bairro. “A morte dele me fez questionar muito. Eu não vim ao Brasil para enterrar pessoas, mas para fazer a vida viver. Comecei, então, a acolher na minha casa, na varanda, na picape. Na época, não tinha uma casa de acolhimento, só orfanato. Mas eu não gostava de orfanato. Queria dar família, futuro”, relembra.

Em 1986, surgiu a primeira Casa do Menor. Hoje há unidades em Tinguá, Guaratiba, Rosa dos Ventos, Vila Claudia e Shangri-lá, que oferecem acolhimento, esportes e cursos profissionalizantes. “Não resolvemos os problemas dos meninos. Fazemos trabalho preventivo: a violência gera violência e é fruto do abandono, da falta de amor, de perspectiva. Éramos umas das igrejas mais violentas. Agora, nasceu uma consciência nos jovens”, destaca.

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