Japeri inicia a caça ao mosquito da dengue

A ação deve durar de dois a três dias

Por O Dia

Rio - A subsecretaria de Vigilância e Saúde de Japeri iniciou, nesta segunda-feira, a caça ao mosquito do Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela urbana. Sessenta agentes de endemias, 36 deles experimentais, passaram o dia em campo fazendo o Lira (Levantamento de índice Rápido) e atacando os focos da doença. Eles visitaram imóveis em todo o município e coletaram larvas do mosquito. A ação deve durar de dois a três dias.

Agentes de saúde fazem ações de combate à dengueDivulgação

“Estamos dando início ao Lira, ou seja, estratificando o município de 9 a 12 mil imóveis. Trabalhamos um quinto em cada localidade (visita um a cada cinco imóveis), e depois feito esse processo e levantar os índices, voltamos ao local onde o Lira está alto. Esse trabalho facilita a ação. Tínhamos 30 agentes e chegaram mais 36 experimentais. Eles estão sendo acompanhados por nossa equipe, onde recebem treinamento, mas no próximo Lira, em janeiro, farão o trabalho sozinhos”, afirmou o subsecretário de Vigilância e Saúde de Japeri, Josélio Abreu Rosa.

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), o índice menor do que 1 é considerado “tolerável”, de 1 a 3,9 representa “situação de alerta” e superior a 4 corresponde a “risco de surto”. Ainda segundo o subsecretário, no último Lira feito em agosto o índice de infestação foi de 0,9%. “

Cemitérios no foco das ações

“Temos 31 bairros de Japeri e todos eles estão sendo visitados. As áreas rurais não são incluídas, a exemplo de Rio D’Ouro e Santo Antônio. Dependendo do número elevado do índice, entramos com trabalho de fumacê e visita constante em todas as casas. As localidades que mais preocupam são as áreas limites com as cidades de Nova Iguaçu, Queimados, Paracambi. Não sabemos os que os municípios vizinhos estão fazendo”, lembrou Josélio Abreu Rosa, acrescentando que também será priorizado o trabalho em pontos estratégicos, como em cemitérios, estações ferroviárias, borracharias e ferros-velhos.

Ex-ajudante de depósito, Walace Resende, de 23 anos, foi um dos novos agentes de endemias que participaram do Levantamento de índice Rápido. Ele percorreu diversas ruas e, além de orientar os moradores, pôde aprender a coletar as larvas do mosquito Aedes aegypti. 

“Coletei duas larvas num imóvel e achei isso o máximo. Nunca imaginei como era feito esse trabalho pelos agentes. Chegou a hora de declarar guerra ao mosquito. O bacana é que podemos levar essa experiência para casa e orientar meus vizinhos”, enfatizou o jovem.

Na casa de Rosângela Marcelino, de 60 anos, que fica na Rua Aracati, 91, no bairro Mucajá I, onde os agentes encontraram um foco do mosquito, foram coletadas amostras em vasos de plantas. A moradora contou que as recentes chuvas que caíram na região facilitaram a proliferação do mosquito. Para evitar a infestação, ela prometeu intensificar a limpeza no quintal, tendo como aliada uma piscina natural com centenas de peixinhos ornamentais. 

“Tenho carpa, tilápia e outros peixes que comem as larvas do mosquito. Além de serem animais de estimação, me ajudam no combate à dengue. Vou perder dez minutos durante a semana para fazer a limpeza do quintal”, anunciou.

Preocupada com a ameaça do mosquito, a passadeira de roupa Maria de Fátima, 62, moradora na Estrada Daniel, no Mucajá, decidiu desmontar a piscina de plástico. Já o militar reformado José Daniel Quint, também achou por bem esvaziar o balde com água coletada pela chuva da madrugada.  

“Choveu e deixei o balde encher. O certo era ter virado o vasilhame ao contrário. Não posso vacilar, pois a dengue está batendo na porta. O verão está chegando e essa visitação nas residências é importante para não aumentar o índice de infestação”, observou.

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