Pequena judoca de São João de Meriti leva o ouro no Sul-Americano

Jamily do Carmo, de 11 anos, é orgulho da Baixada Fluminense

Por O Dia

São João de Meriti - Uma menina tímida que luta judô, moradora de São João de Meriti e sem recursos para pagar as passagens da competição em Lima, no Peru. Parecia uma daquelas histórias tristes. Mas a vida lhe reservou outro destino. Com o apoio dos familiares, treinadores e de sua força de vontade, ela conseguiu chegar à competição e trazer para casa a medalha de ouro. A pequena Jamily Vitória do Carmo, de apenas 11 anos, ficou em 1ª lugar no Sul-Americano e na 5ª colocação, no Pan-Americano.

A rotina de Jamily é intensa. Coincidir escola e treinamento não é uma tarefa fácil. Sua mãe, Tatiana De Elíde, de 36 anos, ressalta que a filha sempre foi independente e disciplinada. "Ela sai de casa, em São João de Meriti, às seis da manhã. À tarde e à noite, se dedica exclusivamente ao treinamento de judô, com seus treinadores, no Monumental Sport Center, em Duque de Caxias.

A judoca Jamily do Carmo%2C de apenas 11 anos%2C é orgulho São João de MeritiDaniel Castelo Branco/Agência O DIA

Treinos desde cedo

A professora que treina Jamily há quatro anos, Mariane Batista, de 24 anos, aponta uma sequência de competições que marcaram de forma decisiva a vida de sua aluna. Uma delas foi a Copa Minas, em julho deste ano. "Voltou de lá vencedora e mais confiante nela mesma. Na semana seguinte, ganhou o campeonato Brasileiro, e presenteou o pai que fazia aniversário com as medalhas. Agora, ganha mais essas duas. É ou não é uma sequência de vitórias?!", dispara. Jamily é campeã do Sub-13, pesa 28 quilos e compete com categorias acima da dela (até 31 quilos). Os treinos começaram desde os cinco anos de idade. "Essa paixão começou quando foi assistir o primeiro dia da aula de judô do irmão caçula. Eu tinha acabado de colocá-la no balé. Mas, ela não se encaixava. De lá para cá, nunca mais saiu", contou a mãe.

Sem condições financeiras para comprar as passagens para chegar ao Peru, o pai da pequena teve que buscar ajuda com o diretor da empresa onde trabalha. "Minha filha só conseguiu competir graças à empresa Arm Logística. Já inscrição, hospedagem e alimentação ficaram por nossa conta", explicou. A indignação da mãe de Tatiana é a mesma de muitas mães de atletas da Baixada Fluminense, que veem os sonhos de seus filhos passarem despercebidos pelos órgãos públicos. "Nosso município não incentiva o esporte. Enquanto que em outros municípios do interior do Rio, receberam apoio de suas respectivas cidades". É o caso de sua amiga de treino Luiza Rodrigues, de 16 anos, que chegou a ser convocada para seleção de base no circuito europeu. Mas que, por falta de dinheiro e incentivo da Secretaria de Esporte, não conseguiu ir.

No tatame da sala de judô, no Colégio Casimiro de Abreu, em Duque de Caxias, Jamily luta para valer com o irmão caçula. Ao dar uma pausa para descansar, disse está felicíssima e que continua com a rigorosa dieta para manter o peso certo. E faz uma promessa. "Meu objetivo é lutar na Olimpíada e representar o Brasil no Mundial", afirmou a menina.

 

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