Por douglas.nunes

Sentado diante do gerente de banco, um microempresário aguarda ansioso a liberação de seu empréstimo. O funcionário da instituição financeira observa algo na tela do computador e pergunta: “Em qual restaurante o senhor jantou ontem à noite?”. A situação fictícia, bem como a pergunta aparentemente despropositada, ilustra uma estratégia cada vez mais comum para coibir empréstimos fraudulentos, que é o uso de softwares destinados não só a informações cadastrais usuais — como o número da identidade — mas também dados recolhidos nas redes sociais.

O uso de aplicativo em dispositivos móveis auxilia na busca por informações confiáveis sobre o clienteBanco de imagens

“Há, no mínimo, dois tipos de validação absolutamente necessárias hoje. Primeiro, é preciso checar se o documento fornecido é verdadeiro e válido”, explica Orli Machado, presidente da C&M Software, empresa focada nos segmentos de crédito, cobrança e meios de pagamento. “Depois, é essencial verificar se os dados do documento são realmente da pessoa que o apresentou”.

Para ter certeza de que não se trata de uma fraude usando um documento verdadeiro com a foto alterada, por exemplo, vale cruzar dados de institutos de identificação e órgãos emissores com imagens do serviço Google Street View — como acontece no software BrSafe, da BrScan Tecnologia. “Fazemos análise de risco e não só de fraude. O aplicativo pode comparar o endereço comercial fornecido pelo cliente com imagens do Google, para ver que tipo de construção existe no local”, conta Jardel Nogueira Araújo, gerente de Operações da empresa.
Naturalmente, a checagem de dados para fins de concessão de empréstimo é um processo bem mais complexo, que vai muito além da varredura nas redes sociais. No país, existem mais de 180 órgãos emissores e 130 institutos de identificação. Diariamente, a base de dados da BrScan recebe 30 mil documentos digitalizados, que são submetidos à triagem para eliminar repetições, diz Araújo.

As ferramentas digitais também auxiliam no combate à lavagem de dinheiro. “Mensalmente, são registradas no país cerca de 45 mil operações, bem-sucedidas ou não, de abertura fraudulenta de contas para lavagem de dinheiro”, afirma Machado.

Além de auxiliar na identificação de golpes, a web é empregada para aumentar a eficiência no processo de concessão de financiamentos. Está previsto para hoje o lançamento do Portaki, portal voltado para pessoas físicas e instituições financeiras interessadas em usufruir da portabilidade de crédito financeiro. A ideia por trás do projeto é de que — a partir de 5 de maio, quando passa a valer a portabilidade — tomadores de empréstimos interessados em reduzir as taxas de juros de seus financiamentos possam interagir diretamente com instituições financeiras cadastradas no site.

Desenvolvido pela C&M, o serviço estará integrado ao Rocket, um aplicativo que permite checar a identidade do cliente por meio de dezenas de perguntas pessoais muito específicas, baseadas em informações coletadas na web.

Joint-venture entre o Itaú e a imobiliária Lopes, a CrediPronto utiliza uma plataforma que roda na nuvem computacional para facilitar a contratação de financiamentos. A ferramenta permite acompanhar em tempo real o processo de concessão do empréstimo imobiliário, além de fazer o upload de documentos e o gerenciamento do relacionamento com o cliente. “Em 2008, quando começamos, o volume de crédito concedido foi de R$ 50 milhões. No ano seguinte, passou para R$ 150 milhões e, em 2013, fechou em R$ 2 bilhões”, informa Jonas Jeremias, superintendente de Operações da CrediPronto.

Inicialmente, a empresa optou por servidores e data center próprios, mas para ganhar escala migrou para um serviço de nuvem.

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